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Opinião
Ao meu avô, Carlos Reis

Juliana Azevedo
Atriz e professora

Publicado em: 18/06/2021 03:00 Atualizado em: 18/06/2021 05:59

A nobreza de caráter, a confiança, a benevolência, a fé, o teatro, a arte, os dons e as possibilidades são fios preciosos, mas o AMOR  é o tear divino que sempre nos deixará entrelaçados, tecendo a túnica espiritual.

Você vinha lutando, e ao teu lado todos nós estávamos na tua luta, juntos a você, pois também era nossa.

Hoje te encontrei e você parecia não estar ali, quando cheguei você falava: FORA! VÃO EMBORA! SAIAM!

E você falava firme, com o rosto brabo. Daí entendi que você precisava de mim para travar aquela batalha que estava tendo, então comecei a falar também: FORA! VÃO EMBORA! SAIAM! E juntos fomos tão fortes que a brisa se acalmou.

Peguei na tua mão…

Nesse mesmo instante viraste para mim e um suspiro profundo deste, pareceu aliviado. Te trouxe de volta!

Falamos sobre o AMOR, a ADMIRAÇÃO, a IMPORTÂNCIA e a INSPIRAÇÃO que temos um pelo outro.

Você estava ali, comigo!

Sorriu…. Com uma força única segurou ainda mais firme a minha mão e me deu a sua benção. MINHA BENÇÃO, MEU AVÔ!Senti tua benção chegando com um raio de luz quente na minha mão, onde beijavas muitas vezes e repetidamente.

De repente te vi transitar novamente nas alucinações. Peguei na sua mão, falei alto: VÔ!! MEU VÔ!

E você virou a cabeça sem quase enxergar, e com seus olhos claros me olhou profundamente, SIM, eu te trouxe de novo.

Lembramos dos palcos. Lembramos da tua importância na minha vida, na construção da minha estrada. Te falei sobre gratidão, admiração e mais uma vez inspiração.

E num sussurro você falou: NOSSA, COMO EU TENHO UMA NETA LINDA! NOSSA!!!! NOSSA!!

Beijei sua testa….

Fechastes os olhos.

Perguntei se você rezaria comigo, pedi que respirasse, que não tivesse medo, que estávamos ali e você conseguiu chegar novamente. Chamei sua outra neta, que estava próxima, sim, a Ana Carolina, ela também pegou na sua mão e nós três juntos rezamos o Pai Nosso, a Ave Maria e o Santo Anjo.

Você sussurrou todas as orações conosco. E sentiu uma calma se instalando em seu peito num foi? Nós te sentimos, vô.

Você abriu mais uma vez os olhos, apertou o nariz e puxou minha mão, inalou profundamente, como se quisesse guardar na caixinha dos seus pulmões aquele último cheiro. E foi assim. Você inalava e eu te agradecia.

E na sua última fala para mim, baixinha, porém forte, firmamos: EU SEMPRE VOU TE AMAR, MINHA NETA! EU SEMPRE VOU TE AMAR, MEU AVÔ!

Promete? Prometo!

Segue em paz. Eu te amo! Obrigada por tudo. Está doendo, mas vai passar, sei que serás meu anjo protetor, você me prometeu, hein?!!!

Obrigada por sua última benção!!!

Bjs,
Sua neta.

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