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Opinião
Quem tem fome não pode esperar

Cida Pedrosa
Vereadora do Recife

Publicado em: 14/05/2021 03:00 Atualizado em: 14/05/2021 06:51

Quem circula pelas cidades brasileiras consegue perceber, visivelmente, o aumento no número de pessoas pedindo comida nos semáforos e vivendo nas ruas. A pandemia do novo coronavírus agravou a crise econômica na qual o país já se debatia, inflando o índice de desemprego e fazendo minguar a renda da população. E a suspensão do auxílio emergencial, no fim de dezembro, foi o tiro de misericórdia que ressuscitou o fantasma da fome.

Uma pesquisa recente sobre os efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar no Brasil, coordenada pelo Grupo de Pesquisa Alimento para Justiça da Universidade Livre de Berlim (Alemanha), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e Universidade de Brasília, constatou que mais da metade (59,4%) dos domicílios brasileiros apresentou algum grau de insegurança alimentar entre agosto e dezembro de 2020. A situação mais grave era a do Nordeste, onde 73,1% dos lares registraram situação de insegurança alimentar.

Isso significa que essas famílias não estavam comendo o que deveriam, nem quanto ou como deveriam. Com a suspensão do auxílio emergencial pelo governo federal, nos três primeiros meses deste ano, a situação só se agravou. Para todo lado, o que se vê são cidadãos e cidadãs comuns se mobilizando numa corrente de solidariedade para aliviar a dor de quem não tem comida no prato.

Sem questionar a validade de todas essas iniciativas, temos consciência de que a fome só será superada à custa de políticas públicas que assegurem uma renda mínima para todas as famílias. Pesquisas comprovam que, quando a renda aumenta, também cresce o consumo de frutas e verduras, melhorando a qualidade da alimentação.

Para debater esse tema tão urgente, realizamos na quarta-feira (12), na Câmara do Recife, uma audiência pública virtual sobre segurança alimentar que teve, entre os palestrantes, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PC do B). Juntos buscamos formas de enfrentar esse problema no Recife, pensando em ações que possam ser implementadas pelo poder público.

Quando a fome bate à porta, aprofunda as desigualdades sociais e favorece a exacerbação da violência urbana. Parafraseando o geógrafo Josué de Castro, quando metade da população não come, a outra metade não dorme com medo da que não come.

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