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Opinião
A democracia na arquitetura e urbanismo

Rafael Amaral Tenório
Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE)

Publicado em: 06/05/2021 03:00 Atualizado em: 06/05/2021 00:05

A trajetória de uma cidade como o Recife rumo ao seu aniversário de 500 anos – a primeira entre as capitais brasileiras a completar esse ciclo, a ser celebrado em 12 de março de 2037 - é marcada por muitas lutas, desafios e conquistas.

Por onde olharmos hoje no Recife, sentimos a presença dos seus mais de quatro séculos de história nos hábitos e costumes de seus cidadãos, na cultura que permeia tradições e as diversas camadas de transformação de sua paisagem; sobretudo, na sua arquitetura, entendendo que ela é a âncora preferencial de nossa memória urbana.

Dos primeiros traçados da então “Cidade Maurícia” durante o período holandês – séc. 17 -, passando pelas reformas de modernização da área portuária e do bairro do Recife no início do séc.20 e pela metropolização da cidade, o Recife ao mesmo tempo que impõe, enquanto cidade metrópole, grandes desafios urbanos, acolhe como capital moderna, todos os nossos sonhos de uma cidade mais justa, inclusiva e igualitária.

Um refúgio que assegura um amanhã construído hoje, pensando a cidade como espaço coletivo, democrático, feito por todos. Como autarquia representativa de quase 5 mil profissionais, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Pernambuco (CAU/PE) enxerga a força do olhar horizontal, do respeito e do trabalho coletivo, sempre pautado por ações propositivas que possam efetivamente valorizar a arquitetura e urbanismo, em todas as suas áreas de atuação e impactar positivamente toda sociedade.

O arquiteto e urbanista, por sua pluralidade, precisa ser protagonista deste futuro, de cidades democráticas, sustentáveis e inclusivas, nas quais são priorizados o uso e acesso a espaços públicos, meio ambiente, moradia, lazer, segurança, saúde, educação, saneamento, acesso à cultura, entre outras questões. Para além do seu ofício, este profissional é um agente de transformação social.

Em função das transformações que estamos passando em decorrência da pandemia de Covid-19, com isolamento social e tantas outras mudanças comportamentais, passamos a enxergar a cidade de forma inusitada. Com isso, tivemos que propor soluções para problemas que até então não conhecíamos; dificuldades foram expostas, e identificamos a necessidade de repensar a concepção e o uso dos nossos espaços coletivos e individuais, públicos e privados, locais de moradia e trabalho. Um momento de ressignificação das relações de pertencimento e identidade das pessoas com o espaço da cidade.

Chegamos a um tempo em que inovar não é mais uma opção, mas uma premissa para preservar os elementos de identidade dessa cidade quingentésima com as transformações necessárias para que sigamos no caminho certo. Com as necessidades postas, nunca foi tão necessário pensar em planejamento urbano como chave de toda problemática que enxergamos.

Por certo, é impossível prever tudo, tampouco ser ingênuo para acreditar que conseguiremos resolver todos os problemas de uma vez. Se chegarmos em 2037 com avanços, constatando que nos pautamos pela ciência, pelos interesses da maioria, que a arquitetura e a democracia juntas fizeram seu papel e contribuíram na construção do nosso futuro, é o momento de celebrar.

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