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Opinião
O pior governo da História do Brasil?

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 17/04/2021 03:00 Atualizado em: 17/04/2021 06:54

Esta semana, em artigo no jornal Valor Econômico, Pedro Cavalcanti Ferreira e Renato Fragelli, dois professores da EPGE-FGV-RJ, expoentes do liberalismo brasileiro atual, classificaram a gestão Bolsonaro como o pior governo da História do Brasil. Apresentaram uma lista de erros e incompetências que inclui educação (inoperância, falta de prioridades relevantes e inércia na pandemia), saúde (falta de coordenação nacional no combate à pandemia e prioridades inadequadas, como patrocínio a tratamentos comprovadamente ineficazes), relações internacionais (completo isolamento do país, agressão a parceiros estratégicos e gestão ideológica medieval), economia (incapacidade de controlar o déficit orçamentário, falta de privatizações, incompetência na reforma tributária, não abertura comercial prometida), justiça (desmonte da Lava-Jato e aliança com setores corruptos do Congresso), meio ambiente (aliança e proteção a madeireiros, garimpeiros e outros segmentos empenhados em destruir nossas florestas, incapacidade ou falta de vontade de controlar desmatamentos e emissões de gases poluentes), desenvolvimento científico e tecnológico (corte brutal no orçamento para a área). A lista deles de revelação da incompetência é ainda maior do que esta, apesar de não incluir todos os itens que coloquei.

Nunca antes, na história deste país, foram feitos tantos absurdos na administração do governo federal. A gestão atual é completamente voltada para o umbigo dos seus líderes. As perspectivas de processos de corrupção contra seus filhos fizeram o presidente atuar fortemente para desmontar o arcabouço institucional voltado ao seu combate. Por acreditar que teria sido menos sujeita a abusos na infância, a ministra Damares trouxe o homeschooling para o centro das prioridades na área de educação, apesar dos inúmeros desafios bem mais relevantes. Por ter “pegado uma amizade” com madeireiros do Norte, o ministro do Meio Ambiente passou a se meter na avaliação legal de documentação sobre madeiras apreendidas pela Polícia Federal, sob a alegação que têm origem em desmatamento ilegal. Esses exemplos se repetem em todas as áreas. Parece até que os gestores estão aí apenas para obter benefícios próprios e se valorizarem. Ao mesmo tempo que livros têm tributos aumentados (os filhos do presidente não leem), armas têm impostos de importação reduzidos porque um dos filhos do presidente representa algumas multinacionais de armas no Brasil. É sempre assim. Só se faz o que traz benefícios para o círculo próximo aos administradores do país.

Anos atrás estava em uma discussão com Renato Fragelli e ele concluiu de forma direta: basicamente queremos contribuir com o desenvolvimento do Brasil e com o bem-estar da maioria da população, inclusive reduzindo as desigualdades sociais. Disse que eu optara pela via de tentar dar racionalidade à esquerda, enquanto ele optara por humanizar a direita. Acho que se a atual gestão for representativa da direita no Brasil, será necessário também racionalizá-la muito, além de humanizá-la. Certamente, bem mais do que ele imaginava. Quanto à afirmação dele com Pedro Cavalcanti Ferreira no artigo mencionado, é muito difícil não concordar. É impossível governo pior e mais incompetente do que o atual.

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