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Vladimir Souza Carvalho
Magistrado

Publicado em: 10/04/2021 03:00 Atualizado em: 10/04/2021 07:24

A insistência do advogado do autor, em ação de usucapião, para a designação de audiência de justificação em data mais próxima, ante uma pauta cheia, me levou, com sua concordância, a marcá-la em horário que, geralmente, dele não fazia uso para audiência: oito horas. Alertei-o que, sendo a comarca longe da capital, teria de chegar muito cedo, porque, das nove horas em diante, três audiências já estavam marcadas. Quem avisa amigo é.

Chegou, realmente, no dia aprazado, pelo menos o advogado, presente na pensão, onde, à época, me hospedava. Estava na sala das refeições. A audiência, efetivamente, seria feita. E com essa certeza muito antes das sete e meia eu já estava no fórum, porta aberta, a demonstrar que o expediente ali já tinha começado. Um pouco mais indaguei ao porteiro se tinha gente para a audiência, a resposta sendo sempre negativa. Às oito horas se aproximou, a mesma resposta negativa, até que, às oito e quinze, vazia a sala de entrada, a calçada e os arredores do fórum, mandei lavrar certidão que a audiência deixou de ser realizada em face da ausência das testemunhas. Designaria outra data, depois.

Dez minutos antes das nove horas, o advogado adentrou, bem eufórico, para me avisar que as testemunhas estavam presentes, perguntando a que horas eu faria a audiência. Peguei os autos da audiência das nove horas, respondendo que estava esperando mais cinco minutos para chamar os interessados. E aí, mencionei o nome do autor. Não era a sua audiência, que, fora marcada para às oito horas. A que eu ia realizar,  designada para as nove horas, já era outra. A fila andava. Lastimei que não tivesse chegado a tempo.

Me lembrei depois de Bonifácio Fortes, nas aulas de direito administrativo. Passou um trabalho para se fazer em casa. Deixou bem claro o dia da entrega, batendo e rebatendo na mesma tecla de que, depois da aula, não receberia mais nenhum trabalho. Alguns alunos não levaram a sério. No dia aprazado, não fizeram a entrega devida. O mestre, então, a lembrar que, no Judiciário, prazo não se perde. Não receberia mais nenhum trabalho. Ao que eu acrescentaria: e se chega ao fórum antes do horário de audiência. Infelizmente, não pude dizer ao advogado, que retirou-se do fórum, a cara fechada, sem uma só palavra de despedida.

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