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Opinião
A doença é o preconceito

Cida Pedrosa
Vereadora do Recife pelo PC do B

Publicado em: 03/03/2021 03:00 Atualizado em: 03/03/2021 06:00

O estigma ligado ao excesso de peso provoca constrangimento e causa danos à saúde de milhares de pessoas pelo mundo afora. Quanto maior é o peso, maior é a discriminação, segundo um estudo da conceituada revista Nature Medicine. No ano passado, o periódico publicou um consenso internacional pelo fim desse estigma, assinado por mais de 100 instituições, incluindo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).  É um passo importante numa luta que deve ser de todos e todas nós.

Segundo a Nature, a gordofobia, ou aversão às pessoas gordas, está associada a sintomas depressivos, transtorno de ansiedade, baixa autoestima, isolamento social, uso de drogas e compulsão alimentar, contribuindo até para aumentar os índices de obesidade. Infelizmente, na sociedade em que vivemos há uma profunda falta de compreensão do problema e ausência quase total de empatia com aqueles considerados diferentes.

Uma prova disso foram as reações agressivas, em redes sociais de jornais locais, aos três projetos de lei que protocolei, na Câmara Municipal do Recife, voltados à inclusão das pessoas acima do peso. São propostas que garantem a acessibilidade desse público aos estabelecimentos de ensino e tratamento adequado nos serviços de saúde, entre outras coisas. Incompreensivelmente para qualquer pessoa que tenha sensibilidade, as propostas foram alvo de chacotas e críticas descabidas. Se um projeto é tratado assim, imagine o que sofrem as pessoas gordas, cujo excesso de peso é muitas vezes associado erroneamente à doença e inação.

É curioso observar como a sociedade é construída a partir de ideias pré-concebidas do que é ou não aceitável. Essa sociedade capitalista, que não aceita nem muito menos valoriza o que foge aos padrões estabelecidos como ideais, cria enormes guetos de excluídos. Em um desses guetos habita quem tem índice de massa corporal acima de 25. O sofrimento dessas pessoas não pode continuar sendo ignorado.

A despeito dos odiadores, vamos continuar trabalhando para que crianças gordas não sejam alvo de bullying na escola, condenando-as ao isolamento social. Para que pessoas acima do peso possam o usar o transporte público sem medo de ficar presas na catraca ou sentar numa carteira escolar sem o risco de quebrá-la, tornando-se alvo de risadas cruéis.  O antídoto contra o preconceito e a discriminação é o conhecimento e é nele que vamos apostar para ajudar a construir uma sociedade mais justa e inclusiva.

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