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Opinião
Novas formas de ensinar e de aprender

Alex Sandro Gomes
Professor da UFPE e vice-presidente da Academia Pernambucana de Ciências

Publicado em: 25/02/2021 03:00 Atualizado em: 25/02/2021 04:37

Durante séculos, as sociedades vêm praticando a transmissão de conhecimentos e saberes em seus rituais de convivência social, seja na família, nas comunidades locais ou nos estabelecimentos escolares. Estes logram do reconhecimento e confiança dos indivíduos de uma comunidade por terem sistematizado formas mais eficientes de socialização que as práticas orais, as quais ocorrem nos espaços sociais de convivência vocacionados ao aprendizado não formal ou informal.

Ao longo dos dois últimos séculos, a humanidade vivencia resultados e impactos de sua própria evolução técnica sob a forma de revoluções industriais. A cada nova revolução, ampliamos e aprofundamos o domínio de técnicas e isso aumenta a própria velocidade com a qual mudamos modos de produção e difusão de bens e conhecimentos.

As revoluções são, ao mesmo tempo, resultado da ação humana e motivo para a transformação na própria forma como socializamos os indivíduos nas sociedades. Para que esses tenham a possibilidade de participar nos ecossistemas alterados pelas evoluções técnicas, a sua formação precisa, de alguma maneira, desenvolver habilidades necessárias a lidar com modelos e ferramentas contemporâneos de produção de conhecimento e riqueza.

A atualização da maneira com a qual socializamos indivíduos ocorre, em parte, por meio de tudo que constitui os sistemas educacionais de uma nação: desde seus currículos de formação de professores, bases nacionais curriculares, até a forma idiossincrática por meio da qual professores efetivamente realiza a transposição didática junto a seus estudantes.

Em certo sentido, as instituições de ensino deviam criar as condições contemporâneas para que os indivíduos mais jovens da sociedade se preparem para nela atuar, garantindo sua plena inclusão. A intensificação das mudanças sociais deveria levar a uma adaptação, na mesma velocidade, da maneira como as instituições e redes de ensino criam espaços de aprendizagem atualizados à socialização de conhecimentos, habilidades e competências.

Nas últimas décadas, é nítido o crescente descontentamento de pais, professores e estudantes da educação básica em relação às metodologias adotadas. Diversos fatores parecem limitar as possíveis inovações nas instituições de ensino, tais como: formação inicial dos profissionais, perfil das equipes gestoras, repertório de crenças, disponibilidade de equipe de governança de TICs nas instituições, entre outras.

Durante o ano de 2020, as instituições e seus atores foram instigados a planejar e executar metodologias emergenciais com o uso massivo de plataformas digitais. Estes movimentos, em resposta à emergência da pandemia da Covid-19, podem acelerar a apropriação de novas metodologias de ensino baseadas em plataformas digitais, mas em suas versões totalmente remotas parecem pouco eficientes do ponto de vista do engajamento e da aprendizagem. A resposta emergencial deverá inspirar a legitimação de metodologias mais flexíveis e efetivas nas instituições de ensino.

A incorporação de uma cultura digital à rotina de instituições de ensino representará continuidades e rupturas da conhecida experiência de aprendizagem presencial. O papel das lideranças educacionais será o de estabelecer visões que ajudem a legitimar espaços híbridos de aprendizagem que sejam inspiradores de novas possibilidades de atividades, projetos e intervenções, que contribuam para fomentar a autonomia, a criticidade e o protagonismo e a formação de efetivas redes de aprendizagem.

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