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Opinião
Revelação da Cepe enriquece o romance brasileiro

Raimundo Carrero
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 21/01/2021 03:00 Atualizado em: 21/01/2021 06:11

Escrevi este artigo verdadeiramente entusiasmado com o romance A Importância dos Telhados, de Vanessa Molnar, vencedor do V Prêmio Cepe Nacional de Literatura promovido anualmente pela empresa, com o objetivo de fomentar “a cultura brasileira em toda a a riqueza e diversidade, com especial atenção à leitura e à literatura”, de acordo com o texto promocional divulgado pela Casa editorial.

Um prêmio literário deve espelhar, sem dúvida, a qualidade de sua comissão julgadora, neste caso de altíssima qualidade formada por Márcia Tiburi, Sidney Rocha e Tércia Montenegro, todos com ampla experiência literária e também vencedores de prêmios literários, antecedida da comissão de pré-seleção formada por Brenda Carlos de Andrade, Ivon Rabelo e Renata Beltrão, de vida acadêmica.

O romance, incomum, conta a história de uma mulher humilde e triste, de uma tristeza cmovente, cujo nome nem precisa se revelar, até porque um nome nesta mulher, dava-lhe uma identidade indevida, ela é uma dessas pessoas absolutamente invisíveis, que transitam pela vida sem um sopro sem um suspiro capaz de provoca paixão ou dúvida. De minha parte prefiro não saber seu nome para não ter que chamá-la ou ouvi-la, embora um discreto soluço possa ser escutado enquanto transcorre a leitura ou sua lembrança.

Sim, a personagem é uma lembrança até para ela mesma. Mesmo não querendo lembrar este seu nome sussurro entre uma palavra – Elle- e outra. Basta, então ler esta frase: “ Conforme o tempo passava, a sensação de estar vivendo dentro um sonho ou de um pesadelo aumentava. Aqui vem também esta sensação da leitura, de estar vivendo um sonho ou de um pesadelo de tortura numa prisão política.”

Portanto, e a um só tempo, um romance intimista com grave sotaque político.Com esta advertência: “Dormi e tive outro pesadelo, aliás, desde que começou jornada mirabolante tive sonhos recorrentes, tanto com meu avô quanto com meu torturador. No último sonho constatei que meu Anjo da Morte havia sido derrotado”.

Escrevo estas palavras com enorme alegria porque se há uma coisa que me torna imensamente feliz é a descoberta de grandes autores, ocupando um lugar digno e se isto vem com o selo da Cepe – esta instituição do Governo de Pernambuco, na gestão de Paulo Câmara – esta alegria se adensa e e me cobre de paz. Agora leiam Vanessa Molnar e também sintam a sensação de descobrir uma grande escritora.

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