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Opinião
PIB, auxílio emergencial e vacinas

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 23/01/2021 06:40 Atualizado em:

As principais discussões nacionais, dessa semana, que têm relevância para a economia foram o ritmo de vacinação da população, as relações com os E.U.A. e com a China, a possibilidade de volta do auxílio emergencial e a eleição dos líderes no Congresso, que pode definir pautas importantes, como as reformas tributária, administrativa e a PEC emergencial. No caso dessas, pasmem, somente a eleição dos candidatos da oposição poderá dar celeridade às PECs do governo. O Brasil conseguiu algo prodigioso nos últimos dois anos: o presidente é o maior líder de oposição ao seu próprio governo. Não é à toa que o Brasil só está andando para trás. A situação só não está pior porque ele é bem fraco. Então, o que ele diz termina por não ser levado a sério.

Dada a letargia do governo, o auxílio emergencial pode vir a ser essencial, apesar de seus efeitos perversos no controle fiscal. As incertezas introduzidas na economia, pela falta de ações consistentes do governo, assim como o atraso da vacinação, têm prejudicado muito o ritmo da recuperação econômica. Por isso, o auxílio pode ser fundamental para evitar o aprofundamento da catástrofe social. A incompetência do governo federal deverá custar mais de 30.000 vidas no Brasil (pelo atraso das vacinas) e jogar mais de um milhão de indivíduos na pobreza extrema. Esses números são altamente conservadores. Por isso, algo tem que ser feito para amenizar o sofrimento da população. Além disso, seu impacto no desempenho econômico em 2021 deve ser positivo, mesmo que possa ter efeitos perversos no médio e longo prazos, por causa do endividamento. Vale salientar que a eleição da oposição para liderança do Congresso também aumenta a probabilidade de recriação do auxílio emergencial.

A recomposição das relações com os E.U.A. e com a China demandará mudanças nas atitudes do presidente. Mas como ele é acostumado a mentir e negar depois, essa mudança não deve ser problema para ele. No caso da China, deverá ainda aumentar as exportações e permitir a entrada da Huawei na tecnologia 5G a ser adotada no país. Isso trará uma redução de mais de R$ 5 bilhões nos investimentos realizados para instalar essa tecnologia e irá assegurar custos menores às telecomunicações brasileiras. No caso dos E.U.A., basta demitir o ministro Ernesto Araújo e o presidente mudar de opinião sobre alguns temas sensíveis, ocorrências esperadas para fevereiro. O acesso a insumos para vacinação poderá ser melhorado a partir de recomposição com a China. Só vai ficar faltando isolar o ministro incompetente para que ela possa fluir e com isso termos melhor desempenho econômico.

A maioria dos analistas está reduzindo suas expectativas de crescimento do PIB brasileiro para este ano. Não deveremos, em 2021, recuperar as quedas de 2020. Mas, se a oposição vencer no Congresso, a campanha de vacinação conseguir isolar a incompetência do ministro da Saúde e houver recomposição com os nossos maiores parceiros comerciais, talvez possamos recuperar as perdas de 2020. Para isso, basta o presidente não atrapalhar e o ministério da Economia aceitar que o país precisa do auxílio emergencial, esquecer a CPMF e aceitar uma reforma tributária adequada.

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