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Opinião
Osvaldinho, meu amigo!

Ricardo Antunes
Jornalista com pós-graduação na UnB e trabalhou no Diario de Pernambuco e Jornal de Brasília

Publicado em: 16/01/2021 03:00 Atualizado em: 16/01/2021 07:07

Eu era repórter inciante do Diario de Pernambuco e fazia parte da equipe comandada por Marisa Gibson. Através  do colega Zadock Castelo Branco, passei a frequentar um almoço super reservado que o ex-deputado Osvaldo Rabelo (pai de Osvaldo Rabelo Filho) promovia em seu escritório, localizado em Santo Amaro.

Ele era dono de uma empresa de ônibus, tinha tentáculos de poder espalhados por todo estado e era considerado um dos últimos coronéis do asfalto.

Ex-presidente da Assembleia,  Osvaldão, como o chamavam,  era bastante respeitado. Em qualquer governo era ele que fazia o secretário de Segurança Pública e ponto final.

Era impossível contar tudo que eu ouvia de políticos, empresários, desembargadores e gente poderosa que passavam por lá para conspirações políticas, tramas legítimas  e negócios em todo Brasil.

Sucessor natural do pai, Osvaldinho foi quatro vezes prefeito de Goiana e deputado estadual em dois mandatos.

Seis meses depois de assumir em 2017, pediu licença e nunca mais voltou, embora tenha feito o sucessor (seu então vice), na sua cidade natal. Uma demonstração de prestígio, pois comandou a cidade de sua casa por conta de uma doença rara.

Ele me deu a última entrevista em agosto do ano passado, em um apartamento em Boa Viagem. Já tinha estado no Albert Einstein, em São Paulo, e chegou a ir duas vezes aos  EUA procurar tratamento.

Em nosso último encontro pedi novamente a ele para escrever suas memórias. “Você está louco, Ricardinho? Se eu falar, o mundo acaba”, me respondia em tom  alto, antes de explodir numa risada que marcava sua vontade de viver.

Durante a década de 90, ele passou na redação do Diario e me chamou para ir com ele ver um investimento. Depois de uma hora, chegamos na BR que liga a Paraíba ao Rio Grande do Norte.

Ele me mostrou um posto a gás, iniciativa pioneira no Brasil. “Vou ficar milionário. Isso é um futuro”,  me confidenciou. Eu achei graça pois não via como isso poderia ser viabilizado no tamanho do seu “sonho”.

Anos depois, encontro ele no  hall do Aeroporto de Guarulhos. Irreverente, aproveitou o encontro casual para me gozar.

Tinha se tornado o maior revendedor de gás do Brasil. Era tanto dinheiro e tantas viagens de negócios que ele estava indo para os EUA comprar dois aviões.

Visionário, chato, milionário, briguento, boêmio e verdadeiro. Esse foi Osvaldo Rabelo Filho, que leva para o túmulo alguns dos  maiores segredos da aristocracia política pernambucana da década de 60 a 90.

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