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Opinião
O banimento de Donald Trump

Fábio Jardelino é jornalista e doutorando em ciências da comunicação
Davi Barboza é jornalista e doutor em ciências políticas

Publicado em: 12/01/2021 03:00 Atualizado em: 12/01/2021 06:12

Facebook e Instagram decidiram por bloquear a conta do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, pelo restante de seu mandato, que vai até o dia 20 deste mês. A medida, porém, ainda pode ser revista e a conta bloqueada “indefinidamente”, segundo informou Mark Zuckerberg na última quinta-feira (7), em postagem publicada no Facebook. O motivo, segundo o criador da plataforma, é que “os riscos de permitir que o presidente use a plataforma neste momento são simplesmente grandes demais”, uma vez que Trump supostamente tem utilizado o fim do seu mandato “para minar a transição pacífica e lícita de poder para o seu sucessor eleito, Joe Biden”.

O Twitter, mídia social favorita de Trump, também foi duro com o político. Anunciou na sexta-feira (8) que a conta do presidente norte-americano será excluída para sempre: “Suspendemos permanentemente o perfil devido ao risco de mais incitação à violência”. O Twitter já havia deletado tweets do presidente e, nas ocasiões, havia dito que futuras violações poderiam resultar na suspensão irrevogável da conta. Para completar, o Google também se pronunciou e informou que o YouTube irá bloquear contas de canais que publicarem vídeos com conteúdo que tragam desinformação sobre as últimas eleições americanas.

Essas medidas trazem à tona uma discussão antiga e necessária em tempos de pós-verdades (quando os fatos têm menos influência do que os apelos às emoções). Será que finalmente chegamos ao momento histórico no qual será necessária uma regulação das plataformas de mídias sociais? As nações precisam criar suas próprias leis ou uma grande lei geral deve ser seguida? Em contraponto, impedir uma pessoa de exercer seu direito de opinião é ir contra princípios democráticos e à liberdade de expressão? Até onde esse poder concentrado nas mãos dos grandes empresários da internet seria prejudicial para as democracias?

O imbróglio é complexo e não é muito fácil de ser resolvido. Inclusive é uma pauta que já vem sendo debatida há algum tempo pela academia e agentes do mercado - principalmente por envolver decisões verticais, ideológicas e de “controle privado”, algo que preocupa as nações livres ao redor do mundo. Ademais, outro problema que surge é a conceituação, ainda discutível, sobre o que é Fake News (nas teorias mais consagradas, seriam notícias falsas produzidas e disseminadas de modo proposital com objetivo de manipular a opinião pública), ou desinformação jornalística (informações falsas e imprecisas que circulam como resultado de erros, negligência ou mesmo preconceitos inconscientes). E ainda tem a “desinformação honesta” (quando defensores de teorias conspiratórias são totalmente sinceros ao acreditarem na veracidade da história, mesmo com evidências e fatos contrários). Além desses conceitos apresentados, muitos outros ainda estão sendo debatidos no contexto teórico das ciências humanas, indicando que esse “problema” ainda está longe de ser completamente entendido e resolvido.

Enquanto não temos respostas para várias perguntas, o mundo vem debatendo ações práticas, como punições reais para quem divulga uma notícia falsa, criação de leis que punam aqueles que financiam a sua propagação, políticas de remoção transparentes por parte das plataformas sociais e um processo justo (com direito à defesa e à reparação).

Contudo, a principal ação eficaz para combater este mal que aflige a nossa geração deveria ser a educação da população em relação à problemática. Mais do que nunca, precisamos ensinar os cidadãos sobre checagem de informação, que pode ser feita por meio de ações simples, tais como a verificação da origem de uma notícia, a data da publicação, a credibilidade da fonte e os locais em que ela foi publicada.

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