Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Opinião
Tuaregues

José Carlos L. Poroca
Executivo do segmento shopping centers

Publicado em: 21/10/2020 03:00 Atualizado em: 21/10/2020 06:51

Meu avô materno nasceu em 1895, em Palmeirina, distrito de Garanhuns à época, no Agreste pernambucano. Casou com Julia, filha de espanhóis (há quem diga que era filha de portugueses) e tiveram quatro filhos. Ficou viúvo com 38 anos e não casou mais. Morreu com 92 anos de idade e se gabava de nunca ter ido a um consultório médico ou odontológico. Também dizia que, quando entrasse num hospital, não sairia pela porta de entrada. Foi o que aconteceu.

Tenho alguns pontos em comum com Pai Tonho (meu avô). Ele gostava do cheiro feminino (eu também) e achava Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro dois craques da MPB: eu também. Como ele, entendo que a ida a consultórios, na maior parte das vezes, geralmente, é porque algo está fora de ordem. Outro ponto que incomoda é a tal da hora marcada, que em 99% dos casos não funciona. Some-se a isso, as salas de espera. Para não ficar olhando para os que estão à frente, procuro ler algo que está à disposição e vem outro espanto: as revistas são especializadas ou antigas ou ambos.

Outro dia, numa dessas salas (precisam ser rebatizadas), peguei uma revista – antiga, é bom repetir - que trazia matéria sobre lançamento de coleção (moda) de verão de estilista brasileiro, baseado no lifestyle dos tuaregues, povo nômade que habita o desértico norte da África, apresentando tons azuis típicos das roupas das tribos, além de amuletos e cordas igualmente habituais por lá. Na hora, associei a matéria à conversa que tive há um tempo com pessoa que morou/trabalhou na África durante anos e contou-me sobre alguns costumes dos tuaregues.

Um deles, a que mais me impressionou, foi como o modus operandi quando estão prestes a enfrentar uma forte tempestade de areia. Matam o camelo, retiram a parte inferior (vísceras, coisa e tal) e ficam hospedados dentro do animal, até que a tempestade vá embora - que pode demorar dias. Levam água e alimento para a temporada, mas não impede que o faisandé do animal se interrompa. Pelo que tudo indica, a osfresia dos tuaregues fica perto do zero.

Boa parte dos brasileiros que precisa sobreviver nessa zorra que está aí, tem que matar camelos para enfrentar as tempestades de areia (pandemia, desemprego, corrupção etc.), sem bússola ou GPS, diante das conduções atabalhoadas para enfrentar o coronavírus. Se fizermos uma associação, somos tuaregues em alguns aspectos, pelo menos no quesito sobrevivência. Encerro por aqui, informando que o único medicamento que Pai Tonho utilizava para seus males (frieira, disenteria, resfriado, constipação etc.) chamava-se elixir sanativo. Vai ver (não estou afirmando nem recomendando) o produto também tem a propriedade de combater o tal vírus.

Argentina chora perda de Maradona
Jogadores se despedem de Maradona
Rhaldney Santos entrevista Dra Amanda López, neurocirurgiã pediátrica
Rhaldney Santos entrevista João Campos (PSB), candidato à Prefeitura do Recife
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco