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Opinião
Os voos, do ginásio ao futuro

Vladimir Souza Carvalho
Magistrado

Publicado em: 17/10/2020 03:00 Atualizado em: 17/10/2020 05:46

De início estranhei a nota no ginásio. Em lugar de cinquenta, por exemplo, era cinco. De cem, dez. A sensação foi de desvalorização de um zero, não do vil metal, que, à época, não carregava no bolso. Desvalorização, não sei de quê, talvez misturada com decepção, como se a nova realidade me causasse impacto, decorrência dos quatro anos com um tipo de nota, no primário. Me acostumei, porque este era o caminho. Em Roma, como os romanos, ia aprender depois. Meu espanto ficou para mim mesmo, como, de resto, no aspecto, sempre me mantive calado, conservando na geladeira da cabeça as impressões que os fatos me causavam.

O ginásio era um saco que só carregava novidades – farda que nos enchia de brios, vários recreios de dez minutos após uma aula de cinquenta, teste todo mês, um professor para cada matéria, o horário de cada uma, durante a semana, previamente fixado, uma sala e inspetor para cada turma -, e por aí vai no descortinar de novo horizonte, deixando para trás, bem longe, os tempos do primário, onde, ameaçadora, a palmatória, que fazia parte das normas educacionais, não saia da mesa da professora. Bem, esclareça-se, no meu tempo.

Se tudo era novidade, e, na novidade, uma festa, havia, no final da estrada, o monstro da reprovação, que, ano a ano, como uma praga, contaminava um relativo número de estudantes da primeira série, a ponto de ensejar a repetição do ano, criando, assim, a classe dos repetentes. A palavra se equiparava a um estilete quente que, ao tocar na pele, feria e provocava dor. O passo, então, era cauteloso, registrando as notas, somando-as, para sempre ter em mente o quanto ainda precisávamos a fim de alcançar a aprovação final.

A exceção de uma segunda época, em matemática, trilhei bem o caminho do ginásio, do clássico e da faculdade. Alguns anos atrás, para minha curiosidade, ouvi minha irmã dizer que não acreditava que eu e Bosco passássemos no admissão. Passamos. A reprovação viria na primeira série. Não veio. De repente, o curso ginasial completo. O médio e o superior, tudo para sua admiração. Uma explicação dada hoje por ela, que não passou da primeira série. Não estudava. Discutia com os professores. Era expulsa da aula. Lá em casa, ninguém nunca soube de nada.

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