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Opinião
Os cinemas de rua do Recife que marcaram época e fecharam (2)

João Alberto Martins Sobral
Jornalista

Publicado em: 30/10/2020 03:00 Atualizado em: 29/10/2020 22:03

Atlântico: Construído em estilo art décor pelo grupo Luiz Severiano Ribeiro e com capacidade para 350 pessoas, ficava no Pina, com duas entradas, pela Conselheiro Aguiar e Estudante Jeremias Bastos. A exemplo de outros cinemas de bairro, exibia seriados, especialmente de faroestes, com capítulos a cada semana. Uma antecipação das novelas da TV e dos cartões fidelidade, pois ninguém queria perder os capítulos seguintes. Nos domingos, havia a troca de gibis na porta e um lanche na lanchonete Leiteria, em frente. Outra curiosidade era a segurança mantida pela Polícia Mirim, formada por jovens e adolescentes das comunidades próximas, que com sua farda verde oliva tentava por um pouco de ordem naquela bagunça juvenil. Uma missão quase impossível. O cinema fechou em 1985 e toda a estrutura foi transformada no Teatro Barreto Júnior. O mestre José Paulo Cavalcanti Filho foi um dos frequentadores mais assíduos, na sua juventude.

Polytheama: Localizado na Rua Barão de São Borja, era chamado pelos estudantes da época de “Polypulgas”. Foi operado muitos anos pela Severiano Ribeiro. Depois, foi transformado no auditório da Rádio Tamandaré, que passou a funcionar no local.

Albatroz: Inaugurado em 1958, ficava na Rua Padre Lemos, em Casa Amarela, com capacidade para 940 lugares. O projeto de Lauro Ribeiro se destacava pela sua fachada modernista, com pilares em V e marquise em concreto armado.

Recife: Ficava na Avenida Beberibe, pertinho do Estádio do Santa Cruz e funcionou com sucesso durante muitos anos, atraindo especialmente moradores da redondeza.

Torre: Foi inaugurado na década de 1930, na Rua Visconde de Irajá, na Torre, que teve, durante muitos anos, uma grande movimentação de público. Sobreviveu até os anos 70, quando fechou e o local foi transformado num edifício residência, que tem o nome de Cine Torre.

Ideal: Inaugurado em 1915, no Pátio do Terço, funcionou até os anos 70 e tinha uma curiosidade: possuía 250 poltronas de primeira classe e 217 de segunda classe. Numa época em que os aviões não tinham várias classes. A exemplo dos outros cinemas, exibia, antes do filme, documentários e o Canal 100, um cinejornal semanal, fundado por Carlos Niemeyer, exibido em todo o país. Tornou-se conhecido pela qualidade fantástica das filmagens dos jogos de futebol, que até hoje não foi superada. Tinha como tema musical, Na Cadência do Samba (Que Bonito É), do pernambucano Luiz Bandeira.

Glória: A maioria do seu público era de frequentadores do Mercado de São José, com uma programação, popular, com muitos filmes pornô. Em 1983, seu prédio foi tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual. Funcionou até 2016 e atualmente é um centro de lojas chinesas.

Encruzilhada: Ficava na Avenida João de Barros, pertinho do mercado. Era uma estrutura antiga, ainda com poltronas de madeira. O espaço hoje é ocupado por uma agência do Santander.

Cinemas 1-2-3: Foi o pioneiro nos shoppings, ficava num prédio anexo ao Shopping Recife, com a vantagem de poder usar o estacionamento do centro de compras. Eram três salas pequenas, mas com muitas opções de filmes. Depois que fechou, teve a boate Fashion Club e hoje é uma academia de ginástica.

Art Boa Viagem: O grupo Art Filmes inaugurou nos anos 60 o Art Boa Viagem, na Conselheiro Aguiar, perto da Pracinha do Terminal. Funcionou por quase 20 anos e atraia um bom público, por ser o único do bairro. Que não tinha uma grande população na época.

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