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Opinião
Educação como prioridade nas eleições

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 24/10/2020 03:00 Atualizado em: 24/10/2020 07:59

A Teoria Econômica converge para a identificação da educação, tanto no seu alcance como na sua qualidade, como o mais importante determinante do desenvolvimento econômico. Mesmo aqueles que enfatizam o papel das instituições ou cultura como determinantes fundamentais, ainda assim reconhecem que suas consequências para o acesso e a qualidade da educação são os seus componentes principais. Então, em período de eleições, cabe observar como as prefeituras estão se engajando nessa luta pelo desenvolvimento através da educação. Diante disso, coletei informações do SAEB 2019 (último disponível) para ver como está o desempenho dos nossos estudantes no Recife diante daqueles das demais capitais brasileiras. O foco foi nas escolas municipais para os dois níveis para os quais há testes realizados em escolas municipais, 5ª e 9ª séries do ensino fundamental. O ensino médio não é responsabilidade dos municípios, mas dos estados. As médias calculadas foram para os testes de língua portuguesa e de matemática, que são as disponíveis. Não utilizei as notas do Ideb porque elas levam em consideração, além das notas do SAEB, os índices de aprovação. Como governos motivar professores a aprovarem os alunos não torna esses últimos mais preparados para a vida, utilizei notas do SAEB como critério mais adequado.

Infelizmente, as comparações são vergonhosas para a nossa capital, Recife. A média alcançada pelos estudantes das escolas municipais foi abaixo da média de todas as capitais em todas as séries e disciplinas testadas. Em português, nossos alunos alcançaram médias 200,8 e 246,6 nas 5ª e 9ª séries, respectivamente. As médias para todas as capitais foram 209,24 e 252,15 para as mesmas séries. Em matemática, as notas médias de nossos alunos foram 211,75 e 248,83, ainda na mesma ordem crescente de séries. As médias gerais das capitais foram 220,33 e 252,48, respectivamente. Ou seja, o bom desempenho do Ideb, que inclui o nível de aprovação, não reflete o desempenho no aprendizado, que está abaixo da média nacional.

Sendo Recife uma capital de um estado pobre, pode se argumentar que o PIB per capita afeta muito o desempenho dos alunos, pois define as condições materiais para os seus desenvolvimentos. Diante disso, comparou-se as médias acima com aquelas alcançadas pelos alunos das demais capitais nordestinas. Os resultados também não são bons. Tivemos desempenho abaixo da média regional nos dois níveis escolares testados e nas duas disciplinas. As médias regionais são: (i) Português 5ª série=206,69; (ii) Português 9ª série=251,79; (iii) matemática 5ª série=217,42 e (iv) matemática 9ª série=252,45. Comparações com as médias no Recife, apresentadas acima, mostram que o desempenho dos nossos alunos foi inferior a essas médias em todas as comparações. Como Pernambuco é o estado com maior PIB per capita da região Nordeste, as condições materiais proporcionadas pela menor renda per capita não podem ser usadas como justificativa para o baixo desempenho dentro da região. Ou seja, o ensino público provido pela Prefeitura da Cidade do Recife está em nível lamentável. Os eleitores devem cobrar dos candidatos que concentrem esforços na recuperação da educação no município, pois houve deterioração relativa nos últimos anos.

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