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Opinião
A cidade, as flores e o Diario (I)

Luzilá Gonçalves Ferreira
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 27/10/2020 03:00 Atualizado em: 27/10/2020 06:18

O calor reinante e as chuvas intermitentes caindo sobre o Recife nessas últimas semanas, estão assegurando um pouco de beleza em nosso dia a dia, ainda, ai de nós, sob o império da Covid-19. No Poço da Panela há flamboyants floridos, e, no que resta de jardins, tipos de flores mais resistentes, as tropicais, com nomes estranhos, quando não sofisticados. Aqui em casa, temos strelitzias, helicônias (garra de lagosta e de caranguejo), frangipani plumeria rósea ou branco, que minha mãe chamava simplesmente de jasmins. Há hibisco róseo, que não é mais que uma comum papoula. São indivíduos (assim se chamam) que demandam pouca água e relativamente poucos cuidados. Mas houve um tempo que flores de jardim eram rosas, dálias, cravos e cravinas, junquilhos, margaridas, beneditas, presentes nas canções de roda e no folclore.

Na segunda metade do século 19, o Recife viu chegarem da Europa, França sobretudo, especialistas na importação de flores, como Monsieur Arnol (pai e filhos), monsieur Pelloce. Que anunciavam “ao respeitável público” a chegada e venda de especimens mais raros, alguns “superiores em roseiras e dálias aos jardins do Rio de Janeiro” e se dispunham a lhes dispensar os cuidados relativos. Na Rua da Soledade, número 70, num certo dia de abril, no Diario de Pernambuco anunciava-se a chegada de “250 qualidades das mais belas rosas”, trazidas pelo navio Alma, vindo da França. E 52 qualidades de dálias, “das melhores que há em França” havendo já 300. Na Rua da Aurora havia igualmente grande jardim, com outras flores como camélias, glicínias azuis, magnólias, além de árvores frutíferas.

Em 4 de agosto de 1857, um anúncio mais surpreendente se dirige aos “srs vigários e mais senhores encarregados dos cemitérios das cidades e vilas do centro da Província”: no mesmo jardim da Soledade vendiam-se, para ornamento dos ditos, árvores fúnebres, ciprestes, chorões, entre os quais, pasmem, aqueles “vindos de Santa Helena (ilha), tirados da árvore da sepultura de Napoleão I”. A continuação desse anúncio é significativa como advertência e marca de um momento em nossa vida social: “Como alguns senhores, que têm comprado pés de flores a um pardo alto e magro, que os vende pela rua e diz serem deste jardim me têm feito reclamações pelos logros que têm sofrido, fiquem todos sabendo que o tal pardo não vende flores deste jardim, e que só nele são vendidas as suas plantas, e garantidas as suas qualidades.”  Comuns ou raras, as flores sempre foram  objeto de carinho e metáforas como exemplo de fugacidade da beleza e da vida. Disso falaremos na próxima semana.

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