Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Opinião
Livro 7 de la Mancha

Francisco Dacal
Membro da Associação de Cervantistas da Espanha

Publicado em: 22/09/2020 03:00 Atualizado em: 22/09/2020 05:13

Num lugar da Boa Vista, de cujo nome não quero lembrar, um jovem livreiro, de tanto manusear livros, dia e noite, sem parar, teve a brilhante ideia de sair mundo afora em defesa da leitura e dos leitores, que precisavam de sua luta por novas e diversificadas ofertas de obras e autores, de todas as modalidades possíveis.

Devidamente preparado, na companhia de uma fiel escudeira, saiu em busca de um local em que pudesse travar as batalhas jamais vistas e vividas na alta ordem da literatura.

Cavalgando pelos campos da Rua Sete de Setembro avistaram, em determinado sítio, alguns moinhos que, ao destemido livreiro, pareceu gigantes, de modo que decidiu enfrentá-los. Por fim, num acordo de cavaleiros andantes, nele estabeleceu um empreendimento carregado de sonhos e desafios.

Ao novo negócio, depois de muito pensar, resolveu adotar o singelo nome de Livro 7. Não demorou que esta façanha quixotesca chamasse a atenção de crianças, jovens, adultos e velhos, cavaleiros em busca de conhecimentos, formação e lazer, também dispostos a enfrentar os moinhos que as circunstâncias da vida nos interpõem na caminhada terrena em busca de realizações.

Instalada num antigo casarão, em sua segunda fase, que possuía um aprazível alpendre, a Livro 7 começou  a atrair mais clientes, leitores e escritores, de todas as categorias, pelo ecletismo e novo modelo de atendimento.

Um episódio surreal foi a abertura do Bar 7, tal qual um “mesón manchego”, num terreno ao lado pertencente ao casarão, local de lazer etílico e tertúlias literárias avulsas. Espaço perfeito de encontro da estudantada e dos aspirantes a ficcionistas, poetas e de outras cenas culturais, de onde sempre saiam felizes para suas casas.

Em sua terceira fase, com apoio e os desenvolvimentos efetivos na época, a Livro 7 transformou-se na maior livraria do Brasil, contribuindo para a formação de gerações de profissionais e na ampla cobertura dos gostos dos leitores, num círculo mais completo. Paralelo a isto, a Livro 7 manteve uma programação de incentivo à cultura e ao aparecimento de novos talentos,     

Estimado leitor, queremos registrar, nos melhores anais, os 50 anos de fundação da livraria Livro 7, comemorados em julho passado, um verdadeiro marco cultural da memória da cidade do Recife. Ela não existe mais. Mas existe a gratidão, por tantos bons momentos, assistências, conquistas e amizades decorrentes... Esta bela história tem como protagonista Tarcísio Pereira, quixote de um sonho que se fez realidade, quem sabe, inspirado no que disse o Cavaleiro da Triste Figura: “Livros são o regalo de minha alma e o entretenimento de minha vida”.  

Luta por representatividade: candidatas negras tentam reescrever a história
Resumo da semana: segunda onda da pandemia, drones na eleição e campanha sem aglomeração
Rhaldney Santos entrevista João Paulo (PCdoB)
Enem para todos com professor Fernandinho Beltrão
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco