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Opinião
Revisitando as estatísticas da Covid-19

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 15/08/2020 03:00 Atualizado em: 16/08/2020 17:30

Numa era de fluxo elevado de informações, fica difícil ter uma noção de como está o nosso desempenho em relação à pandemia, apesar de tal análise ser essencial para nos posicionarmos e cobrarmos de nossos governantes. Os mais variados dados podem dar noções diferentes sobre o nosso desempenho como sociedade. Tal preocupação e problema existem tanto para o país (Brasil), como para o estado (Pernambuco) ou cidade (Recife). O que os dados mostram é que as mortes no Brasil estão em uma situação de estabilidade nas últimas semanas, apresentando algumas flutuações, mas que não são definitivas em nenhuma direção. Como o percentual de mortes sobre a população estabilizou-se em nível elevado, estamos a caminho de passar o número de óbitos por habitante dos países mais atingidos pela pandemia. Enquanto nesses (Itália, Inglaterra, Bélgica, Espanha, etc.) o número de mortes semanais caiu drasticamente, no Brasil esse patamar estabilizou-se em nível elevado. Ou seja, o Brasil tem sido deficiente em sua estratégia de combate ao coronavírus. Não conseguimos controlar a transmissão e prevenir as mortes como em outros países. A taxa de contágio caiu, mas principalmente por causa da redefinição de hábitos da população, motivada pelo medo. Não houve campanhas de esclarecimento em quantidade ou com discurso adequado.

Entre os estados, Pernambuco, apesar de ter estabilizado o número de mortes por habitante, continua como a segunda maior estatística do Nordeste (atrás do Ceará) e a quinta maior do Brasil (RR, CE, RJ e AM estão na nossa frente). A média de óbitos em sete dias tem apresentado queda lenta nos últimos sessenta dias, o que indica uma melhora suave, mas ainda insuficiente para qualificarmos Pernambuco como um dos estados de maior controle da pandemia. Apenas somos um dos que entrou mais cedo nela e agora nos beneficiamos por já estarmos um pouco mais adiantados, enquanto alguns estados estão ainda em fase de ascensão rápida da contaminação. Mas as estatísticas mostram que nosso desempenho não foi bom e ainda está deficiente, relativamente a outras unidades da federação. Estados que entraram cedo na pandemia, como Ceará e Alagoas, no Nordeste, e Rio de Janeiro e Espírito Santo, no Sudeste, têm apresentado quedas de mortes mais aceleradas do que Pernambuco. São Paulo, por sua vez, por ter um interior que entrou na pandemia mais tarde teve desempenho pior do que Pernambuco na redução do número de óbitos. Os estados entrantes cedo no Norte, como o Amazonas, também têm tido desempenho fraco na redução das mortes, assim como nós em Pernambuco.

O Recife, por sua vez, tem tido um melhor desempenho no combate à pandemia. Entre as capitais é a décima com menor número de mortes por habitante no país, apesar de ter começado relativamente cedo a enfrentar casos de Covid-19. No que diz respeito à redução da proporção de óbitos para a população, é a quinta capital com maior queda nos últimos sessenta dias. Ou seja, não teve desempenho invejável, mas esse também não foi lamentável, como ocorre com o Brasil em relação aos outros países ou Pernambuco em relação aos demais estados.

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