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Opinião
Economistas em pânico

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 08/08/2020 03:00 Atualizado em: 08/08/2020 04:54

Tivemos uma semana em que duas propostas de política avançaram. Uma que busca romper o teto e elevar os gastos, seja com o Renda Brasil, investimentos em infraestrutura ou gastos militares. A outra é que busca aumentar impostos a partir de elevação da carga tributária sobre o setor de serviços. Essas duas ideias confrontam o ideal liberal do ministro da Economia e rompem com os compromissos assumidos pelo presidente quando em campanha. Há o receio de que os desenvolvimentos futuros dessas duas ideias possam vir a retirar Paulo Guedes do Ministério da Economia e com isso tornar frágil a resistência ao descontrole de gastos públicos. Assumiria o Ministério da Economia alguém menos técnico e menos comprometido com o ajuste fiscal.

Tais violações vêm junto de desmonte do arcabouço anticorrupção, que foi construído ao longo dos últimos 15 anos, e com a aliança com o lado mais tenebroso do Centrão. O combate à corrupção foi outro compromisso de campanha do atual presidente para o qual ele agora vira as costas. Com essas evoluções, os anseios da população quando foi às urnas em 2018 começam a ser esquecidos na condução do governo federal. Todos gostam de mais gastos, mas a maioria, à época, entendeu que déficits públicos podem levar à inflação e não estão dispostos a pagar mais impostos. Vale lembrar que com a desindexação implementada nas últimas décadas, mais inflação reduz a arrecadação (decorrente do tempo entre fato gerador e pagamento efetivo do tributo). Ou seja, podemos estar criando o ambiente para a volta da inflação e descontrole orçamentário, como nas décadas de 1970 e 1980. Inflação, descontrole fiscal e corrupção, três entre os lados mais nefastos da ditadura militar voltam a assombrar os brasileiros.

O populismo fiscal (mais gastos) pode prevalecer. O país pode voltar a sofrer a instabilidade que nos custou tanto para eliminar. Vale salientar que esse tipo de volta é possível. A Argentina é um exemplo. Alguns ainda acreditam que a Lei de Responsabilidade Fiscal, a Lei do Teto dos Gastos e a forma atual de condução da política monetária seriam suficientes para barrar a inflação. Mas, mesmo que isso seja verdade, o sacrifício de crescimento de longo prazo seria elevado com essa mudança de postura do Executivo federal. Quanto ao outro fantasma, a corrupção, ninguém faz a mínima ideia de como tentar barrá-la, pois essa assombração só faz crescer suas forças no Planalto Central do Brasil. E os mecanismos para contê-la têm sido desmontados de forma acelerada. Tais preocupações têm tirado o sono de vários economistas, principalmente daqueles que têm dedicado suas vidas a tentar, com ideias, contribuir para o engajamento nacional nos rumos do desenvolvimento acelerado e na melhoria do bem-estar de nossa população.

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