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Opinião
Editorial Tratado nuclear

Publicado em: 03/07/2020 03:00 Atualizado em: 03/07/2020 06:09

Os Estados Unidos podem dar um passo perigoso se deixarem expirar o último acordo nuclear bilateral vigente, o Novo Start, assinado em 2010 com a Rússia e que estabelece limites ao número de ogivas operacionais, além dos mísseis para transportá-las. Especialistas temem que, se o tratado não for renovado, as tensões entre as duas potências atômicas ganhem força, o que não contribuiria em nada para o equilíbrio político mundial. Em meio a essa insegurança, a administração do presidente Donald Trump quer levar a China para as negociações, mas o gigante asiático se recusa a participar das conversações entre russos e norte-americanos.

Os chineses chegaram a ser convidados para a última rodada de negociações, mas não se mostraram interessados em participar de um Novo Start ampliado. Os EUA acusam a China de falta de transparência em seu programa nuclear — o país asiático domina a tecnologia nuclear desde os anos 1950 e estimativas dão conta de que possui perto de 300 ogivas em operação e os mísseis intercontinentais para carregá-las. Ao mesmo tempo em que se nega a negociar com russos e norte-americanos, o governo comandado por Xi Jinping é signatário dos principais acordos internacionais, como o Tratado de Não Proliferação (TNP) e os protocolos adicionais da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Para estrategistas da Casa Branca, a inclusão da China nas tratativas relativas ao uso de armas atômicas reflete as mudanças estratégicas no cenário internacional. Inquestionável que, hoje, o país asiático é o grande rival dos Estados Unidos no cenário global, assumindo o posto que era dos russos. Por isso, o convite para as negociações sobre o Novo Start. Os especialistas vêm se mostrando preocupados com a expansão dos arsenais da China e da Federação Russa. Os representantes dos EUA nas conversações entendem que se os chineses buscam status de poder no concerto das nações, têm de assumir suas responsabilidades para o exercício desse poder, sem o acúmulo secreto de armas nucleares.

Para o governo russo, há urgência na renovação do acordo porque, caso vença as eleições presidenciais, Trump, simplesmente, pode deixar o tratado caducar. Na visão dos russos, o presidente dos EUA já deu mostras de que não é um defensor contumaz de mecanismos internacionais de controles de arsenais. Se o Novo Start não for assinado, esse será o terceiro grande acordo sobre armamento abandonado pela administração Trump. No ano passado, os americanos se retiraram do Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário e, neste ano, anunciaram que vão abandonar o Tratado de Céus Abertos, que permite voos de reconhecimento sobre os países signatários, o que dá transparência às operações militares de todos os países.

Tudo o que o mundo precisa, agora, é de equilíbrio e ações concretas dos governantes com poder de destruição do planeta, para que o desarmamento do mundo seja realidade, e não um simples sonho da humanidade.

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