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Opinião
Réquiem para Roque de Brito Alves

Marly Mota
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 11/07/2020 03:00 Atualizado em: 11/07/2020 08:21

Os primeiros meses deste ano de 2020 têm sido de tristes notícias que nos tolhe, como a da morte do amigo simples e transparente Roque Brito Alves, professor de direito penal da Universidade Católica de Pernambuco, eleito com méritos indiscutíveis em fevereiro de 2010 para cadeira Nº 11 da nossa Academia. Mauro Mota, quando presidente por dez anos, costumava dizer: “Nossa Academia Pernambucana de Letras é cada vez mais pernambucana e cada vez mais de Letras.”

Em recanto arborizado ao lado da Praça de Casa Forte, morava o amigo Roque, onde viveu muito invernos e caminhadas pelos jardins de exóticas plantas, muitas delas de várias procedências deste vasto mundo, trazidas pelo paisagista Burle Marx. No mesmo bairro, faço minhas caminhadas, recomendadas por meu cardiologista. Com a anunciada visita do acadêmico à minha casa, sem formalidades, recebi-o com os meus filhos Sérgio e Eduardo, seus ex-alunos. Eduardo, quebrando a formalidade do encontro, lembra que Roque de Brito Alves é notável colecionador de antiguidades, sobretudo em porcelanas e cristais. Acompanhamos Roque pelas salas, com consoles de jacarandá dos velhos tempos do Engenho Passasunga, da família dos meus avós. Estavam terrinas, pratos e fruteiras com marcas impressas: PL Limoges, France. Nesse caminhar, vendo também os quadros e desenhos de Cícero Dias, João Câmara, Lula Cardoso Ayres, Adão Pinheiro, dos Irmãos Monteiro; Gil Vicente, que retratou Mauro Mota em desenho, e gravura de Ariano Suassuna, em agradecimento ao empréstimo do fardão de Mauro da Academia Brasileira de Letras para ser confeccionado por sua costureira e vestir na sua posse. Recebo de Ariano uma bela gravura Armorial, belo trabalho adornado por suas figuras temáticas que caracterizam a obra Sonho, soneto com estrambote reiterativo. Para Marly, agradecendo a confiança e a generosidade, com o afeto de Ariano Suassuna, 1990.

Nesse exílio involuntário, iniciei essa crônica no dia de São João sem a alegria dos sanfoneiros, foguetes, fogueiras, pamonhas, bolos pé de moleque. Na roda de conversa com Roque, entre um assunto e outro, identificamos ter a mesma idade, nascemos no mês de janeiro do ano de 1926.  O réquiem que intitula esse texto estendo à minha amiga Maria Celly Mariz, que, aos 96 anos, pressentiu: “Está chegando a minha hora.” Aspirou.  

Fomos amigas também de Célia Cavalcanti, Heloisa Arruda, dos bons tempos da adolescência. No Recife foi inaugurada a Festa das Rosas no bairro da Madalena. Na ocasião, alguém ao microfone me ofereceu uma música. Quem teria  oferecido? Nós tínhamos a nossa geografia sentimental. Não vale a pena  esconder a surda saudade que sentimos  de tudo. De um domingo na música suave de um disco “long play”, com a Sonata de Beethoven, esse alemão que brinca  com os nossos sentimentos, dando uma ideia de sossego e felicidade!

Quem dera que a vida fosse como aquela tranquila manhã de domingo!

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