Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Digital Digital Digital Digital
Digital Digital Digital Digital
Opinião
Para além da pandemia...

Erik Limongi Sial
Advogado e sócio-fundador do Limongi Sial & Reynaldo Alves Advocacia

Publicado em: 04/07/2020 03:00 Atualizado em: 04/07/2020 06:09

É natural que o foco seja a Covid-19. Afinal, é essa a patologia que vem ceifando vidas, enclausurando pessoas e esganando a economia. Mesmo sendo uma doença que colhe crentes e ateus, um olhar nos tabloides nos mostra um mundo que, para além daquela, padece de males mais arraigados e, de tão reprisados, terminam por transparecer uma certa complacência social para com eles.

Falo, à guisa de exemplo, do racismo, da misoginia, do cerceio à liberdade de manifestação e à imprensa. As últimas semanas nos mostraram quatro policiais no ato de prisão de um cidadão afrodescendente na cidade de Minneapolis. Em razão da brutalidade, George Floyd veio a óbito. Em que pese os policiais tenham sido desligados da corporação e o policial Derek Chauvin tenha sido preso, não deixa de causar espécie que um país com a mais madura democracia do mundo livre seja ainda palco de atitudes desse jaez, sem inibição por aqueles com delegação para a defesa da lei.

Chama atenção na cena, a par da truculência, a banalização do mal. A mesma banalização que leva, ainda nos dias hodiernos, a mutilação de meninas na África e no Oriente Médio sob color de privar-lhes do prazer sexual. Estatísticas mostram que mais de 130 milhões já o sofreram, que em certos locais é levado a cabo a partir dos cinco anos. Ainda que seja cediço que crenças religiosas sejam invocadas como escudo para costumes que, no Ocidente, despertam repúdio social, a religiosidade local não se presta a albergar tamanha violência, que vilipendia a compleição física feminina, sua identidade e autoestima.

Por mais que a agressão física seja a que desperta maior comiseração, as perpetradas de formas mais insidiosas são, em certos aspectos, tão repudiáveis quanto. Caso do cerceio à livre manifestação de pensamento, como recentemente visto em países sob o signo da democracia, nestes trópicos e acima do Equador. Pela força do exemplo, pouco valem as disposições constitucionais assinalando a liberdade de expressão se líderes investidos de mandato rosnam à vista da mais sutil das críticas. Vale memorar que a liberdade de se expressar não está apenas na nossa Constituição Cidadã e naquela dos EUA, mas sim mundo afora, a exemplo da Convenção Americana de Direitos Humanos.

Afinal, do que vale a evolução do homo sapiens se as ideias permanecerem na clausura? Na mesma toada a repressão à mídia, que ao difundir notícias sem censura prévia exercita a voz da sociedade. Num globo interconectado, como se imaginar o cerceio à propagação de boa fé dos fatos senão sob a malsinada intenção de garrotear o tecido social? Males físicos e intelectuais, a protraírem o desapreço para com o próximo. Que a eloquência do silêncio, num mundo sitiado por um vírus invisível, não ecoe como consentimento àqueles.

Vacina: 5,7 bilhões de doses já foram compradas no mundo
Enem para todos com professor Fernandinho Beltrão
12/08 - Manhã na Clube com Rhaldney Santos
Bolsonaro: incêndios na Amazônia são mentira
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco