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Opinião
Manifesto feminista de Cecita Rodrigues

Raimundo Carrero
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 06/07/2020 03:00 Atualizado em: 06/07/2020 05:16

A escritora pernambucana Cecita Rodrigues está lançando o seu Manifesto Feminista que é, na verdade, o seu primeiro livro de poemas de título ousado e vigoroso. Nada mais nada menos do que Molhada até os ossos, pela editora Patuá, de São Paulo, festejando a liberdade absoluta da mulher, com uma linguagem despojada, sem ser indecente, de quem sabe que entrar no mundo, ou se apresentar ao mundo, exige coragem.

E, mais do que coragem, firmeza. Sobretudo num momento histórico em que vivemos entre gritos e sussuros. É por isso que no posfácio “Raios de luz nas sombras dos tempos”, a escritora Sonia Marques lembra os versos de Bertold Brecht “Eu vivo em tempos sombrios...Aquele que ainda ri não recebeu a terrível notícia...Que tempos são esses quando falar sobre flores é quase um crime.” Sim, em meio a este tempo em que até mesmo um vírus sujo parece esperar a nossa passagem com o trabuco em punho. Tempos grotescos, tempos ásperos.

Assim mesmo, reitero, Cecita usa elementos da cultura do nosso tempo de violência, em símbolos eleitorais e mídia para destacar que “é a bala  matadeira, é o tempo nos penhascos, a cerveja derradeira, o porre e o esculacho.” Basta isso. Um poeta de verdade não precisa de muitas palavras, basta o sumo, o resumo.

É com o sumo e o resumo que a poeta fala do Recife, assim: “Recife, mulher, mulher liberta e libertária que se esfrega nos mangues e anda caranguejos, Recife, minha mulher e que eu acordo molhada das águas do mar e do chão que treme a terra carnavalizada”. Com certeza é, no mínimo, uma poeta singular.

Quero falar, ainda, de Thaís Sales, que assina a orelha deste manifesto feminista a todas as mulheres deste destrambelhado século 21 e que assinala: “Molhada até os ossos dança entre  fluidez das águas e a perenidade dos ossos, ossos que viram poesia. Conceição emerge de uma cidade de aterros a evocar vozes de mulheres do dia, da noite, sem carnaval.”

Chamo a atenção para os contos de Thais que serão lançados em breve porque se trata de uma de escritora mágica, política, encantada, que está reclamando leitores e pedindo a cumplicidade de recifenses, salgueirenses, pernambucanos, brasileiros. Viva Sonia, Thaís, Cecita. As mulheres invadem o Recife. Vamos nessa?

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