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Opinião
Forró e frevo pelo mundo

João Alberto
Jornalista

Publicado em: 04/07/2020 03:00 Atualizado em: 04/07/2020 06:08

O Voo do Forró foi criado por José Queiroz, quando prefeito de Caruaru, e visava internacionalizar o ritmo nordestino. Levou muita gente de Caruaru e de outras cidades para programações bem organizadas na Europa. Estive em duas delas, uma na Alemanha, outra na Escandinávia. O grupo tinha um sanfoneiro e a uma banda de pife. Além de participar de eventos da programação, faziam apresentações nas principais praças das cidades por onde o grupo passava, sempre atraindo um bom público interessado em conhecer o ritmo brasileiro. Uma curiosidade é que a Pitu sempre mandava algumas latinhas para o grupo, que faziam a festa especialmente dos músicos.

O Voo do Frevo, que  fez um notável trabalho de divulgação do carnaval pernambucano, foi realizado pelo Clube Internacional do Recife por mais de 30 anos. Estive na maioria deles. O primeiro foi para o Rio de Janeiro, comandado pelo então presidente do clube, José Sales Filho. Teve o apoio do brigadeiro Márcio César Leal Coqueiro, comandante do II Comando Aéreo Regional, e da revista O Cruzeiro. As orquestras de Nelson Ferreira e José Menezes, que faziam o carnaval do clube, foram em avião da FAB. Os participantes no Electra, que era o avião de luxo da Varig, que tinha até uma sala de estar na parte traseira. Grupo, que tinha o prefeito do Recife Geraldo Magalhães Melo, ficou no Hotel Othon e a festa reuniu um público enorme no Clube da Aeronáutica. Teve ainda uma apresentação das orquestras no Programa de Flávio Cavalcanti, na TV Tupi, que era o líder de audiência nacional.

O segundo foi para Manaus, na época o grande point do turismo nacional, por sua zona livre, criada numa época em que era muito difícil conseguir produtos estrangeiros, especialmente o videocassete, que era o máximo de modernidade. Recordo que tive a oportunidade, num jantar oferecido aos diretores, de provar uma iguaria fantástica, a carne de tartaruga, que era proibida, apesar do encontro ter sido no Círculo Militar. A viagem teve outro detalhe curioso: Francisco Costa, dono da Manchete Turismo, comprou um bilhete da Loteria Federal e acabou ganhando o prêmio principal, uma fortuna na época. Na volta, a primeira coisa que fez foi comprar um Landau, carro de luxo, igual ao que seu chefe Wladimir Meireles tinha.

Depois, o voo ganhou roteiros pelo mundo. O primeiro em Miami, comandando pelo então presidente José Paes de Andrade e operado por Mote Stambosky, da Moturismo. Levava bandas e cantores como Claudionor e Nonô Germano, que comandavam concorridas festas. E como acontecia em setembro, em várias a programação incluiu a recepção do 7 de setembro nas embaixadas brasileiras. Outro fato interessante foi no voo para Nova York, num Jumbo da Varig, quando um dos integrantes quis ser engraçado e disse no microfone de bordo que o avião estava em perigo. Acabou preso no Aeroporto John Kennedy.

A viagem a Madri, que tinha a participação de Jarbas Vasconcelos, então prefeito do Recife. Lá, ele soube da morte de Marcos Freire e teve que ser armado um esquema especial, com o apoio da embaixada, para que ele retornasse a tempo de assistir ao enterro.

Na viagem para o Japão (foram duas), na hora da partida, o avião da Vasp, que levaria os integrantes para São Paulo, onde aconteceria o embarque para Tóquio, foi atingido por uma caminhão e ficou sem condições de decolar. Foi uma verdadeira aventura conseguir levar os 100 passageiros em outros voos, mas todos puderam embarcar.

Muitos outros Voos do Frevo foram realizados, incluindo cruzeiros pelo Caribe e Ilhas Gregas, Cancun, Las Vegas, Lisboa, Ibiza, Dubai, Israel, Hong Kong, Turquia, Ilhas Gregas e, que terminou a série, um cruzeiro pela Escandinávia e Rússia sempre com muito sucesso. E o ex-presidente Mário Gil Rodrigues não desiste de voltar a fazer o voo que tem uma presença importante na história do Clube Internacional e do Recife.

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