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Opinião
Decotelli: mais uma "vítima" do Lattes

José Roberto de Souza
Doutor em ciências da religião pela Unicap e professor universitário

Publicado em: 09/07/2020 03:00 Atualizado em: 09/07/2020 03:07

Um dos módulos que lecionamos nas graduações e pós-graduações, e do qual temos enorme prazer, é o de metodologia do trabalho científico. Começamos as aulas brincando, afirmando que essa é a disciplina que os alunos mais amam. Inevitavelmente, todos riem. Em seguida, falamos o que todos concordam: se os alunos bem pudessem (e assim o fazem, quando o podem), dispensariam essa etapa obrigatória. Também relembramos que, mesmo que isso seja possível, essa bendita disciplina estará numa “esquina” esperando a sua vez. É assim que naturalmente acontece, pois, seja no início, no meio e mais ainda no fim de uma jornada acadêmica, sempre percebemos a necessidade de saber como funcionam as regras para a confecção dos inúmeros trabalhos científicos.

Uma comprovação estarrecedora disso é que não são poucos os casos de alunos de pós-graduação que sequer sabem fazer uma simples resenha. Isso sem falar no grande desespero quando relembram a proximidade da data da entrega do famoso e temido TCC. Diante disso tudo, é de salutar importância relembrarmos que o direito a uma determinada titulação não acontece no término dos créditos de um curso. Era assim que inocentemente pensava Carlos Alberto Decotelli da Silva. Esqueceram de avisá-lo que isso só se torna legalmente possível quando, após o cumprimento de todos os créditos, o candidato passa por uma banca de defesa pública e, em seguida, recebe a aprovação dos seus examinadores.

Há também outro elemento importantíssimo neste universo acadêmico: o cadastro na Plataforma Lattes. Isso independe do sentimento que alguém tenha por ele. Como bem se sabe, na realidade, o Lattes tornou-se um pré-requisito até mesmo para concursos públicos e processos seletivos. Espera-se neste currículo que o seu portador compartilhe a sua área específica do saber, apresentando com isso suas formações, produções e participações em eventos. Há nessa plataforma espaço para se registrar absolutamente quase tudo o que o indivíduo fez na face na terra.

Para a continuidade do nosso espanto, são vários os alunos que encontramos nos cursos de pós-graduação que nunca ouviram falar do Lattes. Por isso, pensando em ajudá-los, pedimos que façam o seu cadastro na plataforma e registrem tudo o que esteja relacionado a sua vida acadêmica. Todavia, relembramos que o Lattes é um “indivíduo” gentil e, por isso, diferentemente das pessoas, não tem o hábito de duvidar do que afirmamos. Tendo em vista essa confiabilidade, a quem resolva registrar o que devem e o que não devem nesse “álbum da vaidade”. Esquecem que um dia haverá a necessidade do currículo comprobatório. Este não perdoa! Muitos já caíram nesta fatídica armadilha. Já dizia Theodore Roosevelt: “A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado”.

Falamos para os alunos que eles podem até mesmo, se assim desejarem, colocar no seu Lattes que fizeram uma viagem até a Lua. Mas, ao mesmo tempo, aconselhamos que, tendo realizado este feito, que não esqueçam de tirar uma foto com São Jorge, de preferência do lado do cavalo e de olho no dragão. Este registro será de suma importância para o currículo comprobatório. Lamentamos que o professor de metodologia do trabalho científico não tenha repassado esta recomendação para o nobre Decotelli.

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