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Opinião
As viagens aéreas nunca mais serão as mesmas

João Alberto
Jornalista

Publicado em: 11/07/2020 03:00 Atualizado em: 11/07/2020 08:14

As viagens de avião sempre exerceram um grande fascínio entre as pessoas. Mesmo sem o glamour de antigamente, ainda são o desejo de muita gente, porque levam para lugares de trabalho ou de turismo.

Os mais velhos lembram-se das viagens na antiga estação de passageiros do Aeroporto dos Guararapes. O embarque e desembarque eram pelos jardins em frente e com um problema na chegada: não havia as esteiras de hoje, e as pessoas de aglomeravam no balcão, pedindo aos carregadores para pegar suas malas. Tinha a sala vip do Diners, que garantia uma mordomia especial: o acesso prioritário ao avião, que era muito importante, pois na época não havia a reserva de lugares na aeronave: quem chegasse primeiro pegava as melhores poltronas. E lá sempre se encontrava gente conhecida, muitas vezes estive com governadores, prefeitos, deputados, senadores.

O ataque às torres gêmeas de Nova York mudou radicalmente as viagens aéreas. Foram criados vários itens de segurança, como a revista das bagagens de mão, a proibição de levar líquidos e a obrigatoriedade de tirar tudo que tivesse metal, como cintos e pulseiras e até retirar os sapatos para passar pelo raio-x. Celulares e computadores têm que passar isolados pela revista.

O serviço de bordo, não por segurança, mas por economia das empresas, mudou da água para o vinho. Mesmo na classe econômica, eram de bom nível. Já na classe executiva, era um verdadeiro show gastronômico, com várias opções, refeições servidas com requinte em pratos de louças famosas, copos de cristal e talheres de prata. E uma enorme variedade de bebidas, incluindo vinhos de alto nível. Na primeira classe - categoria que hoje existe em poucas companhias, então, era algo de cinema. Como tive o privilégio de conferir em viagens pela Varig, Transbrasil, Vasp, Air France, American Airlines, Emirates, TAM e TAP.

Nos voos domésticos brasileiros dois comandantes se destacaram. Omar Fontana, da Transbrasil, que criou os voos noturnos - chamados de corujões - e o hábito de servir feijoada a bordo, nas quartas e sábados. Lembro que muita gente escolhia para voar exatamente nos horários em que era servida. E Rolim Amaro, que transformou a TAM na maior empresa área do país, que tinha o hábito de cumprimentar os passageiros no início do voo, que tinham o lançamento de produtos e o sorteio de prêmios. E criou um diferencial: as poltronas do meio, que ninguém gosta, mais largas que as duas outras, um consolo para quem tinha que ficar nelas. Na entrada de todos os voos eram distribuídos jornais e revistas com os passageiros, o que acabou faz tempo.

As empresas aéreas reduziram ao máximo o serviço de bordo, algumas passando a cobrar pelos sanduíches (quase todos de má qualidade) e refrigerantes. Só a Azul dava de graça pacotes de salgadinhos e refrigerantes. E as malas e até a reserva das poltronas passaram a ser pagas. Exceção, é claro, nos voos de longa duração, que exigem refeições. Com as restrições impostas pela pandemia do coronavírus, nos voos domésticos será abolido o serviço de bordo, apenas água e quando solicitado pelo passageiro.

Outras restrições devem ser impostas, como o uso de máscara, check-in antecipado. Está em discussão o distanciamento social, algo literalmente impossível com a atual estrutura dos aviões, alguns que são, com licença do termo, verdadeiras latas de sardinha. Revistas não mais poderão ser oferecidas, nem mesmo as publicadas pelas empresas aéreas. Falam na proibição do uso das poltronas do meio, mas as empresas revelam que isto vai exigir um aumento expressivo no preço das passagens. E até o uso dos banheiros vai exigir uma solicitação, para evitar as filas que sempre se formavam em frente aos banheiros. E tem outro problema: para evitar que sejam contaminados, os tripulantes teriam direito a um banheiro exclusivo. Será muito difícil, pois na maioria dos aviões que fazem as linhas domésticas existe apenas um banheiro na parte da frente e dois atrás. Em algumas empresas, um deles de uso exclusivamente feminino.

Em resumo, os encantos de estar dentro de um avião nunca mais serão os mesmos.

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