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Opinião
O Recife sustentado e os bairros funcionais

Evaldo Costa
Jornalista, foi secretário de Imprensa nos governos Arraes e Eduardo Campos, secretário de Comunicação no Governo Paulo Câmara e diretor do Arquivo Público

Publicado em: 04/06/2020 03:00 Atualizado em: 04/06/2020 06:54

Peça a uma criança de qualquer parte do Brasil para desenhar uma casa e ela, certamente, começará seu projeto com duas linhas inclinadas formando um V de cabeca pra baixo, representando o telhado carecterístico das habitações populares brasileiras.

Agora, peça o mesmo desenho a um menino do Recife. É muito provável que ele comece sua casa de baixo para cima, erguendo linhas que representam paredes a partir de um chão plano. Aqui, para a grande maioria, casa é, em primeiro lugar, chão. Houve até um programa habitacional no segundo governo Miguel Arraes (o secretário Pedro Eurico lembra bem...) chamado Chão e Teto, nome enfático para o desafio de achar lugar para fazer casa para pobres no Recife.

Em um mundo perfeito, não haveria um Dia do Meio Ambiente. Todos saberíamos a importância de cuidar da natureza. Onde vivemos, entretanto, precisamos pensar sobre o impacto ambiental que esta metrópole de 1,6 milhão de habitantes produz, desde que surgiu, entre morros, estreitando cinco rios, sete riachos e 100 canais e destruindo manguezais para fazer chão barro ou até suspenso sobre palafitas.

Este Recife terá que falar “sustentabilidade”. É um conceito amplo que abarca desde a relação harmônica com o meio ambiente até a economia. Como faremos do Recife uma cidade sustentável? Ou, como diria o ex-governador Eduardo Campos, como faremos da nossa capital um lugar bom pra viver, criar, trabalhar e ser feliz? Com presente e futuro.

Numa cidade sustentável tudo o que existe é parte de um organismo vivo, múltiplo, forte. Porém, como tudo que é vivo, finito, esgotável. Energia terá que ser, cada vez mais, renovável. O saneamento e a coleta do lixo envolverão, mais e mais, reciclagem. Transporte tem a ver com a emissão de poluentes. Segurança envolve tudo o tempo todo. Chave para bem-estar, conforto, produtividade.

No Recife sustentável todos os bairros serão funcionais e socialmente mistos, tendo comércio, serviços e empregos para onde se vai a pé ou de bike. Uma cidade que ocupa e regenera espaços vazios e degradados.

Quando a região Ibura/Jordão tiver universidades, inclusive pública, e, digamos, um polo de confecções, em ação induzida pelo poder público, automaticamente se desenvolverá, por ação da iniciativa privada, toda uma cadeia de serviços associados.

Quando a Grande Casa Amarela tiver, digamos, uma linha de produção do Porto Digital, a ela se juntarão prestadores de serviços correlatos, desenvolvendo serviços de apoio que dinamizarão a economia local.

Bairros funcionais reduzem a sobrecarga sobre o transporte público e reduzem o custo por habitante de infraestruturas como abastecimento d’água, coleta de lixo, iluminação pública, assistência à saude e outros.

O Recife sustentável aproveitará a oportunidade de crescer rumo às localidades que contam com infraestruturas importantes, como é o caso da Zona Oeste (Areias, Barro, Tejipió etc), onde há metrô com baixo percentual de utilização e terrenos de sobra para conjuntos habitacionais.

Cuidar da sustentabilidade é responsabilidsde de todos: do poder público – Prefeitura, Câmara Municipal, Assembleia – mas tambem da sociedade. E é urgente colocar o debate sobre estas questões na ordem do dia.

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