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Opinião
Editorial Meio ambiente: novo normal?

Publicado em: 05/06/2020 03:00 Atualizado em: 05/06/2020 06:34

Mudanças são lentas. Implicam aquisição de novo comportamento. Os manuais de pedagogia comparam o processo de aprendizagem ao movimento do caranguejo. O artrópode anda mais para os lados que para a frente. Mas, embora devagar, avança.

A evolução social segue ritmo semelhante. É necessário tempo para chegar a novo normal. Guerras e pandemias, porém, aceleram a marcha. A crise sanitária por que o mundo passa serve de exemplo. Para salvar vidas, a única receita eficaz conhecida é o isolamento social e a proibição de aglomerações.

Com ela, transformações que andavam a passos lentos perderam a timidez e ganharam força revolucionária. O ensino a distância se tornou imperativo. O e-commerce se multiplicou. As entregas em domicílio viraram regra. Teleconferências substituíram reuniões presenciais. O home office transformou-se em alternativa de trabalho para milhões de profissionais.

A baixa atividade humana gerou consequências e impactos. De um lado, mostrou a face cruel: paralisou atividades econômicas, roubou milhões de empregos, desnudou a desigualdade social em nações ricas e pobres. De outro, revelou um lado surpreendente: a melhoria de indicadores ambientais em todo o mundo.

Menos veículos automotores nas ruas, menos aviões no ar e a paralisação de indústrias conjugaram o verbo reduzir. A poluição ambiental caiu nos grandes centros urbanos. Gases tóxicos chegaram a registrar queda de 75% em Madri; 50% em Nova York e São Paulo; 33% em Nova Delhi; 25% em Pequim.

O tombo aliviou o equipamento hospitalar. Problemas respiratórios diminuíram. Acidentes de trânsito despencaram. É alentador. No mundo, o asfalto responde por 1,35 milhão de mortes anuais. No Brasil, ultrapassa 160 mil. Segundo o Conselho Federal de Medicina, cerca de 20 pessoas dão entrada por hora em hospital público com ferimento grave causado por veículos. Delas, 7% necessitam de UTI. Uma morre.

Houve, também, impactos ambientais negativos. Entre eles, o aumento do lixo hospitalar e doméstico, do consumo de sacolas plásticas (consideradas mais seguras que as ecológicas) e de embalagens de papelão, necessárias para as entregas do e-commerce – aceno para poluição dos oceanos e corte de árvores.

O que as mudanças trazem de reflexão sobre o futuro? No retorno às atividades, será possível vislumbrar novas práticas e conceitos de desenvolvimento que levem mais em conta a trégua ambiental que a pandemia proporcionou como efeito não previsto mas desafiador? O tempo responderá.

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