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Opinião
Cidade, inovação e dados (parte 1)

Rodrigo Pellegrino
Advogado

Publicado em: 05/06/2020 03:00 Atualizado em: 05/06/2020 06:32

Passada a crise da saúde no mundo, resta a dúvida sobre como serão os novos negócios e como será alicerçada a nova economia. Para longe de fazer predições, é necessária ser tomada a realidade como calço para uma análise pertinente do que poderá ser esperado do futuro.

Os negócios no mundo do século 21 vinham sendo alterados a partir do hiperdesenvolvimento digital. A pandemia serviu de “aceleração” para as empresas, as indústrias, os comércios, os serviços e os governos detectarem que a sobrevivência importará na adequação ao novo ecossistema das cidades, ‘locus’ no qual a maioria desses players têm presença física. Sim, a primeira chave para a saída dessa crise passa pelas cidades.

São nelas onde a maioria das pessoas vivem, trabalham, estudam e se divertem. Com a alteração drástica da realidade, as necessidades básicas inerentes ao ser humano, tais como habitar, locomover, alimentar, divertir, estudar e trabalhar; passaram a ter que buscar resiliência para não sucumbir. Os que sobreviverem precisarão entender o novo comportamento das pessoas.

A economia baseada na informação e nos dados, de um futuro certo a ser alcançado, virou necessidade do presente. As cidades necessitarão se transformar em um grande “Ecossistema de Inovação”, atendendo demandas em saúde, conexão, mobilidade, segurança, trabalho e diversão. Tudo isso para melhorar a riqueza dessa nova sociedade, transformando a cidade em um ambiente capaz de atrair empreendedores, talentos, conhecimento e investimento para inovação e desenvolvimento sustentável (nova dinâmica da economia) após a crise da saúde em escala global.

O Brasil é responsável por 2,5% da produção científica mundial, o que está em correlação com o percentual do país, em 2,6%, aproximadamente, do PIB mundial. Então, nesse quesito, não estamos muito distantes da realidade nossa. A questão é que ao observarmos um dos indicadores de inovação (patentes), estamos apenas com 0,2% dos totais registrados no mundo. Temos problemas efetivos de transformação desse conhecimento em tecnologia, da tecnologia em produtos e dos produtos em negócios que possam gerar riqueza.

Os “Ecossistemas de Inovação” existem para gerar riquezas. Por isso, transformar as cidades em ambientes de inovação, consiste na segunda chave, como alternativa de reposicionarmos o país para sobrevivência, de forma sustentável econômica, ambiental e socialmente (tripé necessário para um mundo pós-pandêmico).

Com isso ,reforço o entendimento de Etzcowitz (2103, The Triple Helix) no qual “a interação entre a universidade, a indústria e o governo são a chave para a inovação e o crescimento em uma economia baseada no conhecimento”. A nova economia.

Nesse cenário, numa sociedade do conhecimento/informação, precedida da sociedade agrícola e industrial (simplificadamente), os serviços respondem por mais ou menos 85% do PIB no Brasil. Conhecimento é um recurso intangível, não palpável e como tal não se perde, isso são os dados. Com isso, ampliar as possibilidades desse mesmo conhecimento ser aplicado e disponibilizado para todos, deverá ser esforço comum para sairmos da crise que se avizinha.

Para além dos modelos estatistas e do livre mercado essa aproximação entre governo, negócios e universidade permite que os esforços possam ser desenvolvidos em conjunto e alinhados com a sociedade de dados, sob pena de continuarmos no debate estéril de modelos. Isso fará com que a nova sociedade do conhecimento e dos dados se torne acessível a todos. O paradigma da abundância dos dados, terceira chave, estará em xeque, e esse será o novo desafio: como tornar a cidade inovadora e permeável de informações e dados para todos, sem que o direito à privacidade e ao sigilo seja ofendido?

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