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Opinião
Ricardo Brennand & os quadros da Cultura Inglesa

Leonardo Dantas Silva
Escritor e historiador

Publicado em: 28/05/2020 06:00 Atualizado em:

Neste 27 de maio de 2020, o industrial Ricardo Brennand completaria o seu 93º aniversário.

Hoje o seu nome é constantemente lembrado por episódios vários que retratam os mais variados momentos nos quais ele construiu o invejável acervo do seu Instituto.

Estávamos em novembro de 2000 e Ricardo encontrava-se empenhado em reunir obras do pintor holandês Frans Post (1612-1680), para a sua notável coleção particular.

Através do marchand Mário Fonseca (Av. Atlântica, 4240 ss. 120 – Copacabana), soube ele que a Sociedade de Cultura Inglesa do Rio de Janeiro possuía dois exemplares, em excelente estado, daquele artista, adquiridos por seu fundador Sir Henry Joseph Lynch (1878-1958).

Tal fato veio dar lugar a um notável episódio da História das Artes no Brasil, pois o colecionador pernambucano, por conta das duas obras do pintor holandês, que acompanhara o Conde João Maurício de Nassau-Siegen, em Pernambuco entre os anos de 1637 e 1654, terminou por adquirir, em um só momento, não somente os dois Frans Post, mas todo o acervo da Sociedade de Cultura Inglesa do Rio de Janeiro (!).

Nas conversações que antecederam a compra, a direção da Sociedade de Cultura Inglesa do Rio de Janeiro não se mostrou interessada na venda dos dois Frans Post, mas, por insistência do Mário Fonseca, que intermediava a transação, admitiu a possibilidade de se desfazer de todo o conjunto de uma só vez.

Para espanto de todos, Ricardo Brennand aceitou a proposta e, com um só cheque, adquiriu toda a coleção da sociedade na noite de 20 de setembro do ano de 2000.

Assim vieram para Pernambuco, além dos dois belos exemplares do pintor Frans Post – Casa de Fazenda e engenho (Pernambuco) e Aldeia e capela com varanda (Pernambuco) --, ambos datados de 1660, todo o restante do acervo reunido pelo colecionador Sir Henry Joseph Lynch.

Além dos quadros de Frans Post, foram acrescidos à compra 93 outros, produzidos no século 19 por dezoito artistas brasileiros e estrangeiros, descritos no livro Iconografia e Paisagem – Coleção Cultura Inglesa (Edições Pinakotheke: Rio de Janeiro, 1994), que passaram a integrar o acervo do futuro Instituto Ricardo Brennand no Recife.

Em setembro de 2015 coube ao historiador e crítico de arte José Roberto Teixeira Leite, nascido no Rio de Janeiro em 16 de agosto de 1930, escrever sobre a importância de cada uma das obras, quando da publicação do catálogo O Oitocentos Brasileiro na Coleção Ricardo Brennand (2015).

Para a confecção do catálogo foram anexadas produções artísticas, adquiridas nos anos seguintes pelo colecionador Ricardo Brennand, particularmente no que diz respeito ao acervo das gravuras (litografias e cromolitografias) retratando a cidade do Recife desenvolvidas na segunda metade do século 19 por Emil Bauch (1852), Luís Schlappriz (1863) e Luís Adam Cornell Krauss (1878), dentre outras mais.

Reunindo trabalhos de 42 pintores e 154 gravadores, representados por 420 imagens, distribuídas por 288 páginas, a obra tem a assinatura de José Roberto Teixeira Leite, a organização editorial de Leonardo Dantas Silva e designer gráfico de Gisela Abad.

A coleção do Oitocentos Brasileiro encontra-se em exposição permanente no salão da Pinacoteca do Instituto Ricardo Brennand, sendo hoje um dos mais importantes repositórios da Arte Brasileira no século 19.

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