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Opinião
Política econômica de retomada para o pós-Covid-19

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 23/05/2020 03:00 Atualizado em: 23/05/2020 09:25

Apesar de ser uma experiência ímpar nos últimos 100 anos, os países já começaram a implementar políticas específicas de retomada das atividades após o distanciamento social/lockdown, dentro de um planejamento que se imagina ser eficiente. Normalmente essas políticas têm a reabertura das empresas e permissões à circulação como principais ações concretas. O que varia é o que abrir e quem tem permissão para andar livremente nas ruas. A maioria dos países, contudo, continua a recomendar a manutenção do distanciamento social e uso de máscaras. As atividades que geralmente são deixadas para o final são aquelas que envolvem mais aglomeração, como shows, eventos e mesmo cinemas. Bares e restaurantes normalmente são sujeitos a normas rigorosas de afastamentos. Às vezes, lojas são submetidas a limites no número de clientes em atendimento e as aulas são iniciadas para classes específicas, sem incluir todas de uma vez. A maior liberdade vai sendo permitida de forma gradual para não promover retomadas do contágio. No Brasil, deve se seguir caminho semelhante, o que aliás já ocorre em alguns estados e municípios, como o Distrito Federal, por exemplo. Todas essas ações visam a elevar a capacidade de oferta de bens e serviços na economia, ao mesmo tempo que mantém o controle sobre a expansão do contágio.

Além dessas políticas, ainda ao longo dos momentos de isolamento social, houve no Brasil e em outros países, muitas políticas de transferência de renda, adiamento de pagamentos por empresas e pessoas físicas, além de financiamentos a empresas. Essas políticas são parte de um conjunto que chamamos de políticas fiscais expansionista. No entanto, elas estão sendo utilizadas como políticas humanitárias e de alívio ao estresse econômico (variação inesperada de renda). O crédito a empresas pode inclusive ser visto parcialmente como uma política de oferta, pois visa sobretudo evitar perda de capacidade produtiva com falências. Mas eventualmente elas poderão ganhar uma conotação de políticas de demanda, especialmente o crédito a empresas, pois as incertezas levarão a reerguimento lento dos investimentos e por isso políticas expansionistas de demanda podem ser necessárias.

Se o Brasil tivesse um presidente de verdade, ao invés de alguém que fica arrumando confusões desnecessárias, muitas delas apenas para aparecer e massagear o seu ego, além de concentrar seus esforços em picuinhas irrelevantes, estaríamos agora coordenando ações cujo foco seria promover um outro choque positivo de oferta, sendo esse um choque tecnológico, que ajustaria a economia a um novo padrão de produção. Nele o maior afastamento das pessoas seria permanente e a utilização de métodos de home office em várias atividades mais facilmente mantida. Para isso precisaríamos não só uma forte política de convencimento social, mas também de mudança em várias regulações para a atuação das empresas, em processos de trabalho, métodos de pagamentos, horários de funcionamentos, etc. Essa revolução na estrutura produtiva nacional poderia induzir a uma reação mais rápida da economia. As reformas tributária e administrativa fazem parte desse conjunto de mudanças, mas não só elas. As diversas normas regulatórias setoriais precisam ser revistas e flexibilizadas para permitir ajustes rápidos dos processos produtivos. A lógica policialesca das fiscalizações tem que acabar, permitindo inclusive redução do tamanho do setor público nessas áreas. Ou seja, temos toda uma agenda regulatória para implementar com vistas a acelerar o processo de recuperação da economia. Não bastam políticas de expansão da demanda agregada.

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