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Opinião
Plúmbeas nuvens

Girley Antonio Mendonça Brazileiro
Economista e ex-diretor da Sudene

Publicado em: 18/05/2020 03:00 Atualizado em: 18/05/2020 07:22

Eu era bem menino quando, num certo dia e inverno, vi meu pai dizer que teríamos um dia plúmbeo. Curioso, pedi a explicação do que se tratava. Pacientemente meu pai me explicou e guardei aquilo para o resto da vida. Nuvens pesadas e cor de chumbo cobriam nosso mundo. Hoje, na minha madureza e, vez por outra, lembro-me do falecido.

Neste momento de quarentena, pandemia e crise político-social, valho-me da imagem desenhada pelo meu pai, quando percebo as dificuldades que pairam sobre o mundo e sobre o Brasil particularmente. Costumo ser sempre otimista, mas, não sou alienado. Nuvens plúmbeas, sim, pairam sobre a humanidade. É certo que mudaremos muita coisa no modus-vivendi e isto tem sido tema de muitos analistas. Difícil é acertar nesses modos. Principalmente nas nações menos desenvolvidas e em níveis educacionais tênues. A educação como base, sempre.

Indiscutivelmente é preocupante, o caso brasileiro, onde os sinais cinzentos projetam tempos de dificuldades sem distinguir pobres dos ricos, resultante das dificuldades das administrações locais da pandemia. Num país de dimensões continentais como o nosso isso não seria de estranhar. Mas, não justifica.

Mercê das frágeis estruturas sociais, os brasileiros enxergam – com uma cínica surpresa – a miséria agora realçada pelas intensas luzes emitidas pela crise sanitária.  As coisas se tornaram bem mais nítidas e sem quaisquer cortinas de fumaça. Eis aí o desafio daqui pra frente. A verdade é que, historicamente, pandemias se repetem e a nação não pode esperar sentada.

Investimentos em infraestrutura social – moradias dignas, saneamento básico, eficiente assistência universal de saúde, educação de base, lições de civilidade e respeito ao próximo, emprego para a população economicamente ativa e justas remunerações, entre outras variáveis – produção dinâmica e muita vergonha e patriotismo na condução politica do país.

Nada de novo! Tudo muito batido e discutido. Principalmente nas campanhas eleitorais, embora esquecido no day after dos pleitos. Tanto pelos vencedores, quanto pelos derrotados.  

Tive uma vida profissional, na velha Sudene, dedicada à promoção do desenvolvimento regional do Nordeste brasileiro e tendo como referencial a necessidade de uma integração e equilíbrio de renda entre as regiões brasileiras. Valeu o esforço. Fiz parte de uma equipe, da qual me orgulho, composta de profissionais patriotas e incansáveis batalhadores pela sua gente. Contudo, não foi o suficiente. Ainda é forte, nas cabeças dos que, geralmente, nos governam, a ideia e que o Brasil é um “arquipélago” e que cada “ilha” que se vire para sobreviver. Exemplo do abandono no qual vivemos, são as imagens de miséria que observamos a olho nu e nas áreas mais nobres das nossas metrópoles. No Recife, uma legião de pobres fazem das calçadas suas camas e amanhecem sempre sem condições dignas de sobrevivência. Para esses, principalmente, as nuvens são sempre plúmbeas.

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