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Opinião
Pernambuco na Covid-19

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 09/05/2020 03:00 Atualizado em: 09/05/2020 07:03

A Covid-19 atingiu Pernambuco de forma acentuada. Quando se calcula o número de mortes por habitante, percebe-se que o estado possui a terceira maior taxa do Brasil (Amazonas, 1º, Ceará, 2º). É fácil querer culpar governos e prefeituras diante de tal desempenho, mas não é justo assumir que a culpa é das autoridades locais. Características culturais e um pouco de azar são importantes para explicar uma parte grande desse desempenho. Logo no início da pandemia o governo e as principais prefeituras decretaram o afastamento social e desde então se esforçam para ampliar a capacidade de leitos de UTI para atender a população. Obviamente, com ações rápidas e toda a dificuldade de mobilização de recursos para ações que envolvem processos de concatenação complexos, vários erros surgiram na implementação dessas ações. Foram inauguradas UTIs sem profissionais de saúde suficientes para operá-las, respiradores sem tubulação de oxigênio e outras anomalias, que terminam sendo utilizadas para criticar a ação do governo do estado e prefeituras. Mas tudo isso faz parte de um momento de tantas urgências e estresse.

Obviamente, na estratégia de redução da taxa de crescimento do contágio ou achatamento da curva, como ficou conhecido na discussão sobre a pandemia, também houve erros. Esses poderiam ter sido mais facilmente evitados e alguns deles ainda podem ser corrigidos. O governo concentrou toda a sua estratégia na persuasão a um distanciamento social, sem maiores qualificações. Isso reduz o seu impacto, pois perde credibilidade e gera impulso excessivo à violação das recomendações. A primeira grande alteração na estratégia deveria ter sido a recomendação e talvez até obrigatoriedade à utilização de máscaras desde início. Elas reduzem tanto ou mais a contaminação do que níveis de isolamento que conseguimos em vários momentos, principalmente quando as pessoas estão com medo de morrer e mantêm uma certa distância dos outros, naturalmente. Além disso, poderia ter havido uma maior espacialização das restrições às atividades econômicas. Bairros e municípios com mais incidência poderiam ter sido isolados dos demais desde o início, quando sujeitos a muitos contágios. Municípios poderiam ter sido mais isolados nas suas fronteiras para evitar penetração do vírus, mas os funcionamentos das atividades econômicas internas poderiam ter sido poupados, reduzindo a perda de renda no estado e proporcionando menor estresse para muitos.

As regras de não acesso a parques e praias poderiam ter sido mais adequadas, como, por exemplo, não permitir que as pessoas ficassem sentadas ou próximas em grupos de mais de duas. Contudo, elas poderiam ainda se exercitar nessas áreas. Países que recorreram ao lockdown adotaram tal estratégia (Bélgica, por exemplo). Com isso haveria menor impulso para sair de casa em outros horários, dirigindo-se a locais em que a proximidade de outras pessoas é maior e não há circulação ampla de ar (supermercados, padarias e farmácias). Tais regras certamente reduziriam muito o contágio líquido total. Além disso, a saúde das pessoas ganharia um apoio importante (exercícios) e por tal aumentaria a proporção de infectados assintomáticos.

Ou seja, erros na estratégia de isolamento custaram caro a Pernambuco, mas certamente não mais do que a campanha de desmoralização das regras levada a cabo pelo presidente da República. Uma concentração urbana forte de nossa população também teve seu preço. Obviamente, caso o governador Paulo Câmara leia esse texto, ele deverá pensar que falar depois do caminho traçado é fácil. E eu serei obrigado a concordar com ele. Os desafios foram muitos e em curto espaço de tempo. Mas algumas medidas de eficiência no isolamento ainda podem ser tomadas.

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