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Opinião
O fracasso do distanciamento social

Tiago Carneiro
Advogado e presidente em exercício da ACP

Publicado em: 19/05/2020 03:00 Atualizado em: 19/05/2020 05:51

O novo e pouco conhecido coronavírus vem afetando milhares de pessoas em todo o mundo e com o Brasil não está sendo diferente, tendo a pandemia causado gravosos danos à saúde e à economia, tendo em vista a orientação da Organização Mundial de Saúde para que as pessoas façam o distanciamento social.

Autoridades de todo o Brasil estão adotando o isolamento horizontal como única forma de evitar a disseminação do vírus.

Acontece que a maior parte da população brasileira tem dificuldades em seguir o isolamento, por dois principais motivos. O primeiro, diz respeito à dificuldade de conscientização, enquanto o segundo motivo é porque a maioria dos brasileiros se sustenta com a receita do dia ou da semana.

Não precisa sair de casa para constatar que grande parte da população não está respeitando o distanciamento social, independentemente das razões.

As ruas de alguns bairros nobres têm movimento muito baixo e é raro ver pessoas fora de casa, o que indica o cumprimento do distanciamento, por essa parte da população. Por outro lado, de acordo com informações oficiais, esses bairros são os que mais concentram contaminações pelo coronavírus, enquanto alguns bairros do subúrbio sequer contabilizam algum caso.

Apesar dos esforços dos órgãos governamentais, o isolamento horizontal já fracassou desde a sua implantação, que jamais ocorreu, sobretudo tendo em vista que as pessoas têm necessidades prementes de auferir receita para garantir o próprio sustento.

O isolamento horizontal pode e deve até ter efeitos na contenção da disseminação do coronavírus, mas o Brasil não os conhecerá, já que sequer foi efetivado.

Nenhum país do mundo resiste a muito tempo de inatividade econômica. No Brasil é ainda pior, onde 60% das famílias não têm reservas para emergências.

O mercado vem se adaptando aos riscos do coronavírus com rigorosas medidas sanitárias, como é o caso dos profissionais de saúde e do setor alimentício, que utilizam severos protocolos de higiene.

Aliás, as empresas brasileiras já são bastante familiarizadas com protocolos e exigências, levando em consideração a quantidade de normas impostas pelos órgãos reguladores.

Não há dúvidas que o controle de uma pandemia é de alta complexidade, entretanto, não é razoável que o combate à disseminação se dê com o sacrifício da economia. Afinal, problemas econômicos também produzem sérios impactos na saúde e não é razoável tentar resolver um problema criando outro.

Portanto, tendo em vista a ineficácia da implantação do isolamento horizontal, é imperioso e prudente que sejam adotadas medidas mais rigorosas e que seja iniciado o planejamento responsável do retorno das atividades, com rigor nas questões sanitárias e de higiene e adoção das melhores práticas para evitar o contágio e disseminação de doenças transmissíveis pelo contato ou aproximação.

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