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Opinião
Mesmo sem peito

João Paulo Gomes
Especialista em Neurociência aplicada ao consumo e pai de Dante

Publicado em: 07/05/2020 03:00 Atualizado em: 07/05/2020 04:13

Escutei muito de amigos que da gestação até o quarto mês de nascido, o filho só tem mãe. Só importa o peito. É uma ligação extraterrestre que os pais nunca poderiam ter, e deveriam esperar com paciência, pois com cinco meses, mais ou menos, uma reação específica de interação vai fazer o bebê identificar a importância da figura paterna.

Com todo o meu respeito e carinho, discordo.

Não tem que ser assim.

Ok, existe um claro amadurecimento neural que faz a cognição e o comportamento evoluírem de forma avassaladora nos primeiros meses. É típico se escutar que um bebê muda do dia para a noite. E é por aí mesmo.

As relações de sobrevivência que vêm do nosso cérebro reptiliano potencializam conexões com quem nos alimenta (amamenta), nos protege e nos acalenta. São inúmeras situações em que o pai pode protagonizar essa figura importante para o bebê e, a partir daí, criar conexão. E mais... Se você começa antes, aos cinco ou seis meses sua relação será ainda mais intensa.

Paternidade ativa, não só a das redes sociais, mas a real/oficial é a que tem múltiplos pontos de contato com o desenvolvimento do bebê. No banho, nas fraldas, nos remédios, na brincadeira, colocando pra dormir, acalmando e sim, amamentando. Por vezes essa experiência pode ser dividida. Seja com carinho, conversando, colocando no peito, ampliando o fluxo de leite em alguns momentos, desmamando para depois oferecer com colherzinha/copinho, etc.

Por outro lado, as verdades absolutas trazem um certo conforto. Se o bebê só para de chorar no colo da mãe, logo, assim que chorar é só entregar pra ela. Isso atravessa o tempo e como nós somos formados pela genética (código biológico) e pela memética (código cultural que repetido forma padrões), essa associação transforma-se em uma verdade e deixamos apenas com a mulher a tarefa de resolver o caos.

Isso é outra mentira. Em muitas oportunidades, se a gente proteger e se entregar, ele para de chorar. Se a gente insistir em ninar, ele vai dormir. E a gente precisa repetir muito isso. Se não é do gene, não deixemos ser do meme.

Sim, ser pai é assustador. Mas é assustadoramente apaixonante também. Como explicar se afastar de casa por alguns minutos e já se sentir estranho, longe da cria? É, pessoal, tem que ter muito peito pra isso.

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