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Opinião
Histórias de árvores

Luzilá Gonçalves Ferreira
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 12/05/2020 03:00 Atualizado em: 12/05/2020 07:28

Procurando na telinha alguma coisa que não fosse filmes de violência, terror ( já não basta o que a realidade nos mostra?), desenhos animados para a turminha que as mães já não sabem como distrair, encontrei três belos documentários sobre o cultivo da árvores, no Japão, no Canadá, em Pernambuco.

No segundo país, a gente conhece: as folhas estão representadas na bandeira, símbolo de riqueza e da lembrança dos pioneiros que povoaram os vastos espaços de floresta, grande parte ainda hoje inexplorada, desde aqueles primeiros tempos de desbravamento do território a conquistar, a árvore chamada érable, em francês, maple em inglês que os dicionários traduzem por bordô, conforme me assegura meu consultor linguístico, professor Lourival Holanda. Da qual se extrai um mel que tratado, se transforma no delicioso xarope, le sirop d’érable, tão caro que estando no Canadá, esta escriba não teve coragem de comprar pelo menos um pequeno potinho como lembrança.

Mas, enfim. Não era sobre o érable que eu queria falar, mas sobre outra árvore, que os habitantes de aldeia, no Japão, esqueci o nome, veneram como se fosse um ser humano, melhor, como uma divindade. Um ancião da aldeia se ocupa todos os dias de dar bom dia à arvore, que se aproxima dos duzentos anos. Mais tarde as crianças cantam cantigas de roda em torno da árvore, que recebe cuidados periódicos de um botanista especial.

Como uma certa árvore, em Paris, perto do cais de Notre Dame, ao lado da livraria de livros ingleses, que dizem ter 300 anos e que é sustentada por traves e continua com as folhinhas verdes. Aí eu fiquei pensando em como nós outros somos insensíveis a essa beleza vegetal, tal qual o pai de Augusto do Anjos que mandou cortar a “árvore da serra”, desejando par si uma velhice calma, pois a alma do tamarindo o incomodava.

A terceira espécie vegetal de que tratava um documentário era o baobá. De que ainda hoje vivem povoações em certo país da África e que chegou até nós trazido por escravos, escondido em forma de semente, e de que temos alguns exemplos aqui no Recife, inclusive à margem do Capibarbe, o Jardim do Baobá, que a prefeitura disponibilizou sob forma de uma pracinha, ao lado da antiga estação de Ponte de Uchoa.

Escrevo todas essas coisas pensando em nossa falta de amor e de respeito por essa vida vegetal que nos cerca, nós sempre prontos a cortar, queimar, destruindo em poucas horas o que a natureza levou anos para criar. Outro dia em filme com Juliette Binoche, a atriz se queixava a um conferencista, que seu filho, adolescente, era alheio a muitas das questões desse gênero e de outras, que ela se colocava, preocupada com os problemas do mundo. Quando a mãe colocava a questão ele perguntava: So what? Tradução: e daí?

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