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Opinião
Esta tal democracia

Leonardo Accioly
Advogado e conselheiro federal da OAB

Publicado em: 09/05/2020 03:00 Atualizado em: 09/05/2020 07:03

Manifestantes protestando pela volta do AI-5, fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Pessoas ignorando a ciência e se manifestando no sentido de que a doença que mata milhares no Brasil e no mundo não passa de uma simples virose.

Vozes da Virginia nos ensinando que a Terra é plana e que os Beatles eram uma banda dos infernos (muito embora este justo título seja de nosso Raulzito, pois o diabo é o pai do rock).

Há quem defenda a segregação, o ódio e pugne contra os valores universais dos direitos humanos. Pessoas satanizando religiões, pregando a meritocracia entre ricos e favelados, julgando necessária a intervenção da Igreja, do Exército e das milícias na vida civil do brasileiro, pregando a pena de morte, o desamparo das minorias, a mutilação de presos, o trabalho infantil para nossas crianças já tão torturadas pela crua realidade brasileira.

Outros contra a liberdade de imprensa e criminalizando o sagrado direito de defesa.

Pode tanta gente defender este tipo de coisa? A resposta é sim!

Pode, porque da mesma forma, tem tanta gente boa que defende o respeito aos direitos humanos, a proteção integral das crianças, o respeito à ciência.

Gente que defende o multilateralismo, o ecumenismo e o respeito às religiões diferentes da sua.  Pessoas que dedicam a vida à defesa das minorias e que morrem para garantir o direito de manifestação de quem pensa diferente de si.

Tem também aqueles que são fomentadores do pluralismo cultural, que amam o próximo e lutam contra a perversa e medieval situação das masmorras brasileiras.

Há aqueles, a quem devemos respeito absoluto, que foram vítimas do arbítrio com seus empregos perdidos, mandatos cassados, familiares presos e seviciados pela ditadura, e que ainda hoje são defensores da legalidade e contra atos de exceção.

Nós, advogados, que embora nem sempre consigamos sucesso em nossas pretensões no Judiciário, defendemos as prerrogativas da magistratura e dos Tribunais, pois sem o Judiciário forte e independente não existe justiça.

Em respeito a toda esta gente, que ama a democracia, é que temos que garantir a voz aos ignorantes.  

E duelar com eles na arena própria. Na arena democrática de Platão, Aristóteles e Rousseau.

E quem sabe vencer! Quem sabe!

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