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Opinião
Economia e Covid-19

Alexandre Rands Barros
Economista

Publicado em: 16/05/2020 03:00 Atualizado em: 16/05/2020 08:28

O governo federal apresentou novas projeções que apontam para uma queda do PIB em 2020 de 4,7%, sujeito ao fim do isolamento social em 31 de maio. A cada duas semanas de isolamento social adicionais, essa queda sobe 0,7% na projeção anual. Esses números estão em linha com o que a ONU prevê que vai ocorrer nos vários países. Os países ricos deverão ter queda de PIB de 5%, segundo essa instituição, enquanto a zona do Euro deve perder 5,8% do seu PIB, o Japão 4,2% e os EUA 4,8%. Nas estimativas da ONU, o Brasil deve ter queda de 5,2% no PIB. A China e a Índia, por sua vez, devem crescer ainda 1,7% e 1,2%, respectivamente. As diversas consultorias e bancos têm produzido previsões diferentes para o PIB brasileiro, algumas apontando para uma queda de até 10% em 2020.

Os modelos epidemiológicos de previsão de impacto da Covid-19 na saúde estão errando em muito o ritmo de expansão da contaminação na população. Países como a Espanha e a Itália, que já estão com queda elevada nas suas taxas diárias de contaminação, não chegaram a ter mais de 0,5% da população com contágios confirmados oficialmente. Estudo recente na Espanha (Ministerio de Sanidad, Estudio de Seroprevalencia de Sanidad, ENECovid19) mostrou que o número de imunizados (com anticorpos) está próximo a 5% da população (média nacional), bem abaixo dos 70% que inicialmente se acreditava ser a imunização de rebanho (taxa de transmissão inicial de cerca de 1 para 3. Esse percentual reduziria o número de contágios de 1 para 1, pois os outros dois potenciais infectados por contato já estariam imunes). Na maioria dos países o modelo SIR (succeptible-infected-removed) previa uma maior contaminação do que de fato está ocorrendo. A falha claramente é na suposição de que a taxa de transmissão se mantém constante e é independente da reação racional das pessoas ao risco de contágio, e não há isolamentos espaciais e de grupos sociais. Podemos pensar nesse modelo como partindo do pressuposto de que num país há uma imensa “suruba” em que todos se relacionam com todos, o que não é verdade. Por isso a estabilidade está se dando com níveis de contaminação bem menores. Os dados da Espanha mostram, por exemplo, que há províncias com 14% de imunização, enquanto outras com menos de 2%. Ou seja, ao menos espacialmente a “suruba” não é tão promíscua assim. Certamente por classes sociais e mesmo bairros isso também não é verdade.

As tendências da contaminação-imunização têm duas consequências. Socialmente elas mostram que a pandemia será menos tenebrosa do que parecia inicialmente. Pode haver estabilidade com níveis baixos de contágio e com menos sofrimento, decorrentes do aumento de isolamento social. Mas, por outro lado, estaremos ainda sujeitos a repiques do contágio. Isso significa que as atividades só poderão ser retomadas com bem mais cuidado. Consequentemente, a economia só retomará lentamente e sob novas bases organizacionais. Por um bom tempo, as atividades econômicas não poderão gerar aglomerações como antes, provavelmente enquanto não houver uma vacina. Isso significa que várias empresas terão que mudar sua forma de funcionamento. Elas não poderão depender de aglomeração, seja para ter mercado ou para produzir. Além disso, governos e várias empresas deverão sair da pandemia com níveis elevados de endividamento e pouca capacidade de retomar investimentos, até mesmo para promover os ajustes necessários. Ou seja, teremos uma retomada lenta e com muito risco. Para o prejuízo ser menor, é muito importante que sempre usemos máscaras e que fiquemos em casa o máximo que pudermos.

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