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Opinião
Covid-19 e revolução digital

João Paulo Allain Teixeira
Professor de Direito da Unicap e da UFPE

Publicado em: 12/05/2020 03:00 Atualizado em: 12/05/2020 07:26

No corrente estágio evolutivo da assim chamada “civilização” contemporânea, encontramos um processo de intensa digitalização da vida. Tarefas cotidianas cada vez mais são realizadas através de computadores, tablets e smartphones em um processo de intensa redefinição das formas de experiência no tempo e no espaço. A quintessência do capitalismo global está assim atrelada a uma mudança radical do cotidiano das pessoas. Na contemporaneidade, a inclusão no sistema produtivo depende em alguma medida do manejo das tecnologias digitais.

Os desdobramentos da aceleração da digitalização do cotidiano em decorrência da Covid-19 exige um esforço analítico em variadas dimensões. Os impactos mais imediatos da pandemia estão refletidos nas transformações do modelo de produção de bens e serviços decorrentes da exigência de isolamento social. Para a economia não parar, muitas atividades migraram para o ambiente virtual, resultando em um enorme contingente de pessoas em todo o planeta em atividades de teletrabalho. A expansão do teletrabalho, porém, vem de braços dados com o reforço à marginalização de parcelas significativas da população. É que as condições de isolamento social em sociedades desiguais trazem múltiplos desafios. O cumprimento do isolamento por exemplo, é quase impossível no contexto de grupos historicamente vulnerabilizados como as populações em condições inadequadas de moradia nas ruas, nas favelas e nos presídios.

Da mesma forma, do ponto de vista das relações de gênero, registram-se taxas crescentes de violência doméstica, como consignado nos principais veículos de informação do país. Aos que não dispõem de emprego formal, resta o abandono à própria sorte. Registra-se, com isso, o aumento da precarização das atividades laborais. Através dos serviços de delivery, entrega em domicilio de produtos diversos, mediados pelos aplicativos disponíveis nas plataformas digitais, muitas pessoas encontram na atividade, uma alternativa para a obtenção de alguma renda em momento de desamparo social. É preciso ainda desvelar os efeitos da pandemia no que se refere ao estímulo a uma vida progressivamente conectada e sua contribuição para a manutenção de um modelo de dominação persistentemente colonial. Com o aumento das horas conectados, acabamos disponibilizando voluntariamente dados importantes como crenças, valores, alinhamento ideológico e formas diversas de compreender o mundo. Esse imenso volume de informações é precioso para a manipulação da vontade coletiva como atestam o direcionamento das fake news e o caso Cambridge Analytica.

Caminhando no fio da navalha, a pandemia oferece uma janela de oportunidades para repensarmos os limites do projeto civilizatório contemporâneo e as formas de geração e distribuição de riquezas em um mundo global desigual. Como em toda crise, múltiplas narrativas encontram-se em disputa. Diante da ausência de certezas para o futuro próximo, especulamos, a partir da análise do perfil histórico-evolutivo da civilização ocidental, sobre as possibilidades para os próximos anos.Estamos diante de um momento reflexivo que trouxe de súbito múltiplas transformações nas formas de vida de cada um, levando para muito longe todas as certezas antes cultivadas com esmero pelo simples passar do tempo. A janela de oportunidades que aqui se abre permite que vislumbremos dentre os diferentes cenários, aqueles que se apresentam como desejáveis, enquanto resultante de um processo de efetiva aprendizagem com a História.

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