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Opinião
Cloroquina x Lockdown, um difícil caso de amor

Rodrigo Pellegrino
Advogado

Publicado em: 29/05/2020 03:00 Atualizado em: 29/05/2020 05:40

O tema é, no Brasil, objeto de debates infindáveis. Cientistas de dados, infectologistas, médicos, juristas, filósofos, cientistas políticos e, por óbvio, os militantes das redes, conjecturam posições invocando “Ciência” e “Liberdade” como princípios inegociáveis para o nosso caráter civilizatório, mas, seríamos tão civilizados, assim, ao ponto de categorizarmos esses dois temas como “Apodíticos”, inquebrantáveis, livres de refutações?

A expressão “Civilização” teve sua origem na França e foi usada pela primeira vez por um economista, Anne-Robert-Jacques Turgot, em 1752, e publicada pela primeira vez por Victor Riqueti, Marquês de Mirabeau, pai do futuro revolucionário Mirabeau. A etimologia nos inclina para associarmos como indissociável, a expressão, da ideia de cidades/estados/países/nações/povo; sempre utilizada ao longo da história à mercê da política e não da verdade.

Quando em meio a esse turbilhão de hipóteses uma “Civilização”, Brasil, invoca a “Ciência” e a “Liberdade”, de forma categórica, para justificar uma conduta como certa ou errada, desconfio estarmos sendo induzidos a legitimar apenas argumentos retóricos, para um lado ou para o outro, pois seria impossível, em meio à falta de tantas validações, podermos encerrar esse debate, encapsulando a “Ciência” e a “Liberdade” numa guerra de “Bem” contra o “Mal”.

Chego a ficar constrangido com algumas posições mais radicais de lado a lado no ímpeto quase histérico de tornar verossímil os seus argumentos, essencialmente retóricos. Niall Ferguson, em seu Civilização, Oriente x Ocidente diz que “Civilização é tanto os laboratórios dos cientistas quanto os sótãos dos artistas (...) e que o sucesso de uma Civilização é medido não apenas por suas realizações estéticas, mas também, e sem dúvida, pela duração e qualidade de vida de seus cidadãos.”

A partir disso penso que seria esse o ponto, a chave, para um razoável equilíbrio nas discussões. Como em meio à pandemia poderemos prezar “pela duração e qualidade de vida” do povo brasileiro? É o que interessa ser refletido.

A duração da vida não estaria sendo bem contemplada no exercício da empatia social de tantos, no sentido de aculturar nossa sociedade a fazer o sacrifício conjunto em evitar o contato físico das pessoas, por determinado tempo, e com isso, se conseguir diminuir a curva de contaminação? Da mesma forma a qualidade de vida de um contaminado, em situação de evolução da doença, não poderia ser melhorada com o uso da “Cloroquina” sob o crivo de prescrição de um médico como responsável?

Estamos em meio ao caos de versões, algumas mais avançadas em seus testes e outras não, mas estamos todos, absolutamente todos nós perdidos e “Em Busca do Tempo Perdido”, ambição de Proust em “alcançar a substância do tempo para poder subtrair de sua lei (...) a essência de uma realidade escondida no inconsciente”.

Por isso, observo com ceticismo a guerra das convicções absolutas postas na “Ágora”. Uma batalha infinda de uma civilização quase condenada, por antecipação, a um não saber eterno. E isso está ali bem estampado e desenhado por, Dante Moreira Leite, em seu livro, O Caráter Nacional Brasileiro, quando pondera sermos um povo “xenófilo e xenófobo ao mesmo tempo”, um povo com “autoafirmação violenta de grupo”.

Mas, ainda acredito nas profundezas do sentimento humano, e que “A beleza salvará o mundo”, mesmo quando somos todos O Idiota (Dostoievski). A beleza da criança, aberta ao improvável, livre ao que é, e não ao que pensa que é. Pois a rigor, somos um povo e civilização medrosos, estamos em “Crime e Castigo”. Vivemos todos com temor. “Dar um passo novo. Dizer uma nova palavra (...) é o que as pessoas mais temem.”.

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