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Opinião
Assim nasce um escritor

Raimundo Carrero
Membro da Academia Pernambucana de Letras

Publicado em: 11/05/2020 03:00 Atualizado em: 11/05/2020 06:08

Sim, pode dizer, o Ciep, invenção de Leonel Brizola e Darcy Ribeiro, é coisa de esquerda. E a esquerda anda tão por baixo que é bom falar baixo.Ocorre que esta história, exemplar, por sinal, começa num Ciep – Centro Integrado de Educação Pública - Carlos Drummond de Andrade, na Praça Seca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Foi em 1989. Neste Ciep estuda o menino Henrique Rodrigues, cujo nome, por causa de um inusitado interesse pelos livros, entra numa rápida eleição escolar para substituir homenagem a Monteiro Lobato, estabelecido na Sala de Leituras, desde a inauguração. Sim, venceu a eleição. A partir daí a sala se chamaria Henrique Rodrigues. Assim nascia também o escritor.

Isto é, ao receber a homenagem, ele decidiu que seria escritor. O que vem fazendo muito bem, lançando livros regularmente e encantando um número crescente de leitores. Conta-se dessa maneira, a história de um menino que reinventa o Ciep, ou seja, reinventa o ensino público no Brasil, tão criticado, mesmo quando não se observa os resultados.

Numa sociedade tão radicalmente conservadora como a nossa é sempre enriquecedor falar na escola pública, encarada quase sempre como um atraso, embora os mesmos professores trabalhem nas particulares e nas públicas. Sobretudo porque grande parte dos nossos profissionais liberais passou pelas salas de aula de escolas públicas e parece não acreditar nelas.

Aproveito, então, este momento para homenagear todas aquelas professoras e professores que passaram pela minha vida e que me ensinaram tudo – com certeza, tudo mesmo...homenageio dona Erotides, responsável pela minha alfabetização, dona Aurênia, dona Socorro, donaCreuza, que me ensinou também a arte da política, dona Carmelita, e todas e todas...

Sem esquecer as professoras minhas irmãs Terezinha, Geralda, Anália, com exceção de Lenilce, que cuidou das nossas vidas e da casa, além de Margarida, que se decidiu pela Medicina logo cedo. A elas agradeço comovido porque é um privilégio tê-las como irmãs. Nem todo mundo tem essa sorte.

Não é sem motivo, portanto, que escolho a primeira crônica do livro como tema deste meu artigo semanal. Sobretudo pelo que representa para o mundo contemporâneo, tão crítico dos nossos professores. Rua do Escritor é o nome do livro de um escritor dono do seu ofício, consciente de suas possibilidades, com a vantagem de ter sido aluno de escola pública.

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