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Opinião
Editorial Apostar no isolamento

Publicado em: 13/05/2020 03:00 Atualizado em: 13/05/2020 06:55

Em boa hora governadores e prefeitos, respaldados por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomaram a dianteira no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, enquanto autoridades no Palácio do Planalto continuam insistindo na tese negacionista em relação ao perigo representado pela Covid-19. Causou surpresa, e até estranheza, a última medida do governo federal incluindo na lista das atividades essenciais - aquelas que podem funcionar normalmente -, em plena vigência do distanciamento social, academias de ginástica, salões de beleza e barbearias, onde a aglomeração de pessoas oferece o ambiente perfeito para a disseminação da doença.

No momento em que as autoridades estaduais e municipais em todo o país adotam ações mais rígidas para a restrição de circulação de pessoas nas ruas, o governo acena com mais uma medida de afrouxamento do isolamento social, o que, certamente, induz ao relaxamento da quarentena. Já está comprovado pela comunidade médica e científica que a única arma disponível, no momento, para combater a pandemia é o distanciamento social. E a atuação firme do poder público é de fundamental importância para barrar o avanço do novo coronavírus.

Apesar dos movimentos contrários do Planalto à orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que a população permaneça em casa, governadores e prefeitos abraçaram a ciência e não seguem as indicações de relaxamento nas medidas de contenção da Covid-19. Os conselhos de saúde que representam estados e municípios junto à União chegaram a rejeitar as novas diretrizes do Ministério da Saúde sobre distanciamento social, por temerem que elas possam virar arma contra a quarentena.

Já são muitas as cidades brasileiras que adotaram o lockdown - como São Luís do Maranhão, Niterói e São Gonçalo, as duas últimas no Rio de Janeiro. Medida extrema para tentar conter o ritmo do contágio pelo novo coronavírus e o inevitável colapso do sistema de saúde. No Maranhão, além da capital e região metropolitana, outros quatro municípios estão em regime de bloqueio total. Fortaleza, no Ceará, também eoncontra-se sob regime de lockdown.

Na capital fluminense, a prefeitura instalou bloqueios para carros e pedestres em bairros com maior índice de contaminação e proibiu estacionamento na orla. Em Belo Horizonte, barreiras sanitárias serão montadas a partir de semana que vem e o prefeito Alexandre Kalil ameaçou com lockdown se a população desrespeitar o isolamento. Em São Paulo e em Pernambuco foi implantado o rodízio de veículos. Esses são apenas alguns exemplos de ações concretas tomadas à revelia do governo central.

O comportamento dos governantes estaduais e municipais precisa ser reconhecido no momento em que o país ainda não atingiu o pico de casos da Covid-19. Os infectologistas lembram que os países que se descuidaram com o distanciamentro social viram a curva de contágio se elevar assustadoramente, o que os obrigou a tomar medidas bem mais duras para conter a pandemia.

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