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Opinião
A vida empresarial após o novo coronavírus

José Cláudio de Oliveira
CEO Procenge

Publicado em: 16/05/2020 03:00 Atualizado em: 16/05/2020 08:27

Assim como em milhares de empresas, vivemos também uma experiência inteiramente nova. De um dia para o outro, em menos de 48 horas, 140 pessoas passaram a trabalhar de suas casas na Procenge. A pandemia do novo coronavírus havia chegado ao Recife e precisávamos adotar o isolamento social para proteger os colaboradores e conter a disseminação da doença. O prédio onde trabalhamos por mais de 15 anos, onde celebramos nossas conquistas, onde nos reuníamos para planejar, executar, avaliar, atender clientes e tomar decisões quanto à estratégia e operação da empresa, foi subitamente fechado. E, desde então, já se passaram mais de 30 dias.

Mudar num prazo tão exíguo quanto fizemos foi possível porque somos uma empresa de TI, habituada ao uso de ferramentas digitais que viabilizam atividades remotas. Mesmo assim, foi necessário um esforço hercúleo dos nossos especialistas em tecnologia. Apesar dos facilitadores internos, fomos impactados com essa súbita mudança de rotina, que atinge todos os setores da economia e afeta os colaboradores e suas famílias

Estar atento a esses impactos é fundamental para uma gestão efetiva e não há como fazer isso sem checar a percepção da equipe quanto às mudanças, dando atenção especial ao seu bem-estar físico e emocional. Por isso, ao final deste primeiro mês e ainda sem perspectivas de retornar presencialmente às atividades, realizamos uma pesquisa interna para entender como está a rotina dos colaboradores. O objetivo foi conhecer as diferentes realidades e atuar nos ajustes necessários para minimizar as dificuldades e potencializar os benefícios.

Todavia, a pergunta inevitável é: e depois? O que teremos aprendido? Dizer que nunca será como antes parece lugar comum, mas certamente, como experiência organizacional e gerencial nos ensinará muito. Sabemos que o teletrabalho não é mudar simplesmente o local em que se trabalha. Nessa realidade há inúmeros aspectos a serem considerados. A convivência social tem um valor imenso para o ser humano e o ambiente de trabalho é um dos mais férteis nesse sentido. De toda forma, não podemos negar que a primeira barreira, a que sempre aguçava os paradigmas em relação ao home office, está derrubada. É possível se organizar para trabalhar em casa sem perda de produtividade.  

Penso, então, que a resposta para o “depois” é a mesma: é possível a empresa operar nesse modelo, caindo por terra as oposições antes levantadas. Por outro lado, enfrentaremos novos desafios.  Teremos que quebrar alguns paradigmas e exercitar uma das principais habilidades inerentes às empresas e profissionais do futuro: a criatividade.

Um dos desafios será restaurar as rodas de intenso calor humano desfrutadas nas celebrações, nas conquistas de trabalho ou nas ocasiões de compartilhamento de resultados, de premiações por desempenho e de confraternizações diversas, que, para a cultura corporativa da Procenge e de outras empresas são essenciais. Talvez, o velho e tradicional prestige building tenha que se transformar num ambiente coletivo, descompartimentalizado e utilizado apenas em ocasiões como as citadas. Isso, inclusive, é um novo olhar sobre a questão imobiliária para as empresas, já um passo à frente da implantação do teletrabalho. Independente das soluções que se mostram reais, adaptáveis e possíveis, precisamos encontrar o equilíbrio entre a liberdade de trabalharmos em qualquer lugar e o valor legítimo da interação social humanizada que o ambiente físico de convivência proporciona. 

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