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Opinião
Editorial A saúde fica mais doente

Publicado em: 16/05/2020 03:00 Atualizado em: 16/05/2020 08:27

O oncologista Nelson Teich renunciou ontem ao cargo de ministro da Saúde. Foram 28 dias à frente da pasta. A decisão ocorre quando o país tem mais de 218 mil infectados e quase 15 mil mortos pelo novo coronavírus, segundo dados do ministério. Uma crise epidemiológica sem precedentes e que, agora, tende a ser mais profunda. Teich se despediu do governo, num breve pronunciamento à imprensa, mas não revelou o motivo da sua decisão.

Sua saída, no entanto, era mais do que prevista. Primeiro, foi surpreendido, durante uma coletiva de imprensa sobre a pandemia, por um decreto assinado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, ampliando a lista de serviços essenciais que podem funcionar em meio à crise, como salões de beleza, academias de ginástica, barbearias e outros segmentos inadequados ao controle da proliferação do vírus.

Anteontem, sem nenhuma formação na área médica, voltou à carga em defesa da cloroquina como remédio para evitar a contaminação ou curar os infectados pelo vírus. Ele exigia de Teich mudança no protocolo de tratamento dos pacientes com Covid-19, que incluiria o medicamento. Caso o ministro não fizesse, ele o faria.

Cientistas e médicos nacionais e estrangeiros reafirmaram, por diversas vezes, que tanto a cloroquina quanto a hidroxicloriquina não seriam adequadas ao tratamento dos infectados nem dos pacientes graves com a Covid-19. Até mesmo os Estados Unidos, país de referência de Bolsonaro, condenaram o uso do medicamento.

Desde que assumiu o cargo, Nelson Teich não conseguiu montar a própria equipe de auxiliares. Bolsonaro nomeou o general Eduardo Pazuello secretário-executivo. Como substituto do ministro, Pazuello loteou os cargos de sua secretaria com militares e indicou outros 37 para outras áreas da pasta. Pazuello, oficial de intendência, ou seja, responsável por logística, não tem qualquer formação na área médica, mas ficará à frente, interinamente, do Ministério da Saúde e pode mesmo ser efetivado se assinar o protocolo que inclui a cloraquina como opção no enfrentamento do novo coronavírus.

Embora aliado de Bolsonaro, responsável pela elaboração do plano de governo no campo da saúde durante a campanha eleitoral de 2018, Nelson Teich é, antes de tudo isso, um médico respeitado pelos seus pares e um empresário bem-sucedido no setor da saúde privada. Avisou, na chegada ao primeiro escalão do governo, que seguiria a orientação da ciência para o enfrentamento da pandemia. Mas pecou, aos olhos do presidente, quando construiu com secretários estaduais e municipais da Saúde um plano técnico de relaxamento para a quarentena. Bolsonaro quer uma saída, já, e nenhuma gestão tripartite, um dos pilares do Sistema Único de Saúde (SUS). Então, restou a Teich declarar: “A vida é feita de escolhas, hoje, eu escolhi sair”. A crise, agora, está sob o comando do presidente Jair Bolsonaro.

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