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Opinião
A maioridade da viúva feliz

Adhailton Lacet Porto
Juiz de Direito

Publicado em: 05/05/2020 03:00 Atualizado em: 05/05/2020 05:31

Em tempos de pandemia e do necessário isolamento social em decorrência da Covid-19, somos levados a refletir sobre nossos atos, nossa vida e desengavetamos lembranças, fatos pretéritos que, volta e meia, nos trazem tristeza ou alegria.

Chegamos ao século 21 e muita gente ainda conserva certos hábitos, crendices, superstições e acredita em muita coisa. Acha-se até que o dinheiro compra felicidade e tudo se faz para consegui-lo. Vale, então, lembrar Montesquieu (1689-1755): “Se quiséssemos ser apenas felizes, isso não seria difícil. Mas como queremos ficar mais felizes do que os outros, é difícil, porque achamos os outros mais felizes do que realmente são”.

É aquela velha história de achar que a grama do vizinho é sempre mais verde; que a mulher do outro é uma santa e que se tivesse o emprego do amigo, com todas aquelas gratificações e penduricalhos, certamente o mundo seria o seu quintal. O exemplo da busca da felicidade através do dinheiro é o rastaquera.

Lembro de um caso que emoldura bem esse sentimento de querer ser o outro; querer o do outro. Numa determinada comarca onde judiquei tinha uma bela mulher que se casou com um rico fazendeiro. À época estava no garbo outoniço dos quarenta, embora não aparentasse, e o marido já tinha passado dos setenta. Muitas mulheres a invejavam e duvidavam até de sua idade. Fofocavam que sua beleza era fruto das mãos milagrosas dos cirurgiões plásticos, cujos honorários consumiram boa parte da fortuna do marido, que veio a falecer sem saber ao certo a idade da esposa. Diziam também que a viúva não tivera trânsito pelas nupcias.

Sua idade permanecia uma incógnita e fez crescer a curiosidade do povaréu. Certa feita, a viúva foi arrolada como testemunha. Era a única oportunidade de saber o ano de seu nascimento. No dia da audiência o fórum ficou lotado de curiosos que, decepcionados, ouviram a resposta à pergunta do escrivão sobre quantos anos tinha a depoente.

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