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Opinião
A instabilidade da estabilidade

José Roberto de Souza
Doutor em Ciências da Religião e professor universitário

Publicado em: 11/05/2020 03:00 Atualizado em:

A minha filha primogênita, Roberta, hoje com quatorze anos, vez por outra me pergunta qual o país que eu gostaria de conhecer. É certo que eu já deduzo onde ela quer chegar, tendo em vista que, depois da minha resposta, ela prontamente revela o seu desejo particular. Tenho alguns amigos que, numa conversa aqui e outra ali, indagam se eu desejo fazer algum tipo de Pós-graduação fora do Brasil. Já houve algumas ocasiões em que pessoas me relataram o sonho de tentar a sorte noutro país, e algumas até conseguiram. Todos esses casos citados objetivavam uma expectativa de uma melhoria de vida. Estou me lembrando de tudo isso porque essa situação na qual estamos vivendo, proveniente dessa pandemia, fruto do coronavírus, conhecido também como Covid-19, tem provado e comprovado que absolutamente ninguém, onde quer que esteja, independentemente do seu grau de instrução, intelectualidade ou até mesmo da sua condição financeira, está isento desse ou de qualquer outro infortúnio. Pelo contrário: como diz a expressão popular, “pela ironia do destino”, as primeiras informações que tivemos dessa catastrófica situação foram oriundas desses países considerados como países de primeiro mundo. Ora, entre tantos casos, podemos trazer à tona a situação recente do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, de 55 anos, que, após sair do internamento, relatou o momento de pânico que vivenciou. Com isso, percebemos que o vírus não discrimina ninguém e torna fraco até mesmo os mais poderosos. Após ter alta, Boris Johnson aproveitou para agradecer aos profissionais que cuidaram da sua saúde, providenciando o oxigênio que ele tanto precisava. Disse também que os “seus sentimentos estão com todos os afetados por essa doença”. Lembro-me ainda de uma conhecida que recentemente postou nas suas redes sociais algumas fotos da sua última viagem para a Europa, em que num gesto saudosista rememorou um determinado ponto turístico repleto de pessoas e ela extremamente sorridente. Agora, quanto a esse mesmo local, ela externa a sua tristeza por vê-lo completamente vazio. Foi exatamente assim que aconteceu. Em frações de segundos, tudo mudou. Certa feita, o escritor alemão Tomás Kempis (1380-1471), que viveu no século 15, autor do best-seller A imitação de Cristo, afirmou nessa mesma obra uma frase que se tornou conhecida: “O homem põe, mas Deus dispõe”. Comentando essa máxima, o escritor Deonísio da Silva afirmou: “A frase significa que, por mais que o homem planeje meticulosamente sua vida, algo de imponderável pode acontecer e deve ser creditado à intervenção divina”. Esse contexto histórico no qual estamos vivendo me fez rememorar exatamente aquele que é considerado o pai da medicina: Hipócrates (460-377 a.C.). Em certa ocasião, afirmou o que veio a ser considerado como o primeiro dos seus célebres aforismos: “A vida é breve!”. Parece até que ele já tinha lido a referência que encontramos na Epístola de Tiago 4: 14: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”.

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