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Opinião
A hora do sim é o descuido do não

Rodrigo Pellegrino
Advogado

Publicado em: 08/05/2020 03:00 Atualizado em: 08/05/2020 00:56

O título, extraído da música de Vinícius de Morais, não tem o intuito de remir o nosso passado mas, ao contrário, dar um pouco de racionalidade ao que vivemos e ao que se avizinha nesse breve futuro. Estamos mais uma vez, no Brasil, sob a ameaça de termos que decidir sem as lentes necessárias da razão.

A partir de uma abordagem que me parece bastante confusa, impulsionada nas redes sociais por tribos despreparadas para, com pertinência, fazer o debate público responsável, penso ser importante termos um pouco mais de clareza sobre o que é ser progressista, reacionário, conservador, capitalista, socialista, liberal, fascista, social democrata, nazista e comunista.

Infelizmente, a maioria das pessoas tende a agregar esses conceitos políticos em dois grandes blocos. Os de esquerda composto pelos (progressistas, sociais democratas, comunistas e socialistas) e os de direita composto pelos (conservadores, capitalistas, reacionários, liberais, fascistas e nazistas), reduzindo-se mais ainda a comunista/esquerdopata x direita/nazifacista.

O que não me espanta, pois toda essa simplificação atende apenas ao interesse quase “diabólico” das lideranças em querer encapsular o discurso e o pensamento contrário em algum conceito de (mal contra bem) visando obliterar o debate calçado no empirismo e na realidade, e este debate é impulsionado por uma “manada” de “intelectuais” de redes virtuais que se sentem livres para impor suas ideias sem filtros, seja ela qual for. Essa simplificação está na ideologização de tudo.

Qual o problema da ideologia de direita-fascista-reacionária e de esquerda-socialista-progressista? Ambas trabalham, necessariamente, com lentes de projeção de mundos. Uma com a projeção de um mundo melhor futuro, no qual todos poderão ter a felicidade garantida por um estado coletivo social, e que este futuro será necessariamente bom; e a outra, por um mundo passado idílico supostamente vivido e de livre iniciativa que era perfeito. Ambas irreais, pois nem esse futuro, nem esse passado, existem. São construções retóricas, virtuais. “Falsa solução das previsões quanto ao futuro...premonições” – obrigado João Maurício Adeodato.

Entendo que não podemos levar com seriedade qualquer política ideológica, pois ela será, quase sempre, uma falsificação da realidade, do futuro ou do passado. Assim, quando matizamos a realidade, afastamos quase sempre as experiências exitosas reais para aplicarmos a resposta automática para tudo, calçada nas ideologias.

No Brasil, após a CF de 1988, todos os partidos que trabalharam na redemocratização assumiram o poder. MDB/PMDB, Partido da Frente Liberal, PSDB e PT. Bem ou mal, tiveram êxito em alguns pontos que devem ser conservados, notadamente, na estabilidade da nossa moeda, por exemplo. Mas falharam quando não diminuíram o fosso da desigualdade social no Brasil e não aplacaram a chaga da corrupção.

Precisamente, essas duas falhas propiciaram a ascensão, ao poder, do atual presidente, uma distorção ao que costumo chamar de evolução progressiva das boas experiências e práticas de uma sociedade. Essa ascensão da distorção veio à direita, poderia ter vindo à esquerda, tal qual as experiências na Venezuela ou Bolívia.

Por isso, faz-se necessário que haja uma convergência de muitos para o que deveremos fazer agora. Fico espantado e preocupado quando ouço discursos de estatização de tudo ou discursos de que o liberalismo será a nossa única salvação. Não serão! Ambos moldam a realidade ao seu próprio arcabouço “virtuoso”. É preciso que os progressistas assumam o discurso contra a corrupção e os conservadores o discurso pela necessidade de diminuição da desigualdade social, sem os quais continuaremos uma invenção mal acabada de sociedade.

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