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Opinião
A disseminação pandêmica do sofrimento mental

Gustavo Figueirêdo
Especialista em Saúde Mental e psicólogo clínico

Publicado em: 20/05/2020 03:00 Atualizado em: 20/05/2020 06:11

Pandemia quer dizer: “enfermidade epidêmica amplamente disseminada.”. ...amplamente disseminada. Acredito que tenhas percebido a redundância do título. Justamente! Eu peço perdão, mas foi proposital. Não tinha como não ser. Mediante a todo esse cenário que estamos passando por conta deste vírus.

As cenas a que assistimos diante do palco da vida: ruas vazias, não podemos ir ao trabalho, ao lazer...; deixam-nos como protagonistas confinados nos camarins dos nossos lares físicos e mentais. E aqui está o problema. O confinamento ou o isolamento social vem acendendo preocupações a profissionais da saúde mental.

O avanço de transtornos psíquicos vem aumentando exponencialmente neste período de pandemia. Também não é para menos! O luto vem tomando espaço de famílias com as perdas dos seus entes queridos; assim como, aos que ficam estão tendo que se adaptar a esse momento surreal. Proporcionando avanços em quadros depressivos, de ansiedade, dentre outros.

Como não bastasse, uma enfermidade que vem aumentando muito também, e com razão, é a Síndrome de Burnout. Popularmente conhecida como a doença do trabalhador. Mas, detalhe: esse mal está sendo acometido a uma classe específica - aos profissionais da saúde. Principalmente aos que trabalham na linha de frente (enfermarias, UTIs,...) com os pacientes da Covid-19.

No entanto, diante da dimensão do problema que a humanidade está passando, o normal é ficarmos com medo, ansiosos, temerosos,... Neste sentido, Charles Melman, psicanalista francês, explana no seu livro - O homem sem gravidade - a ansiedade normal e a patológica. Muitas pessoas poderão desenvolver no período pós-pandemia, fora vários problemas mentais, a ansiedade patológica.

A ansiedade patológica traz como características sintomáticas: insônia, irritabilidade consigo e com quem estiver ao lado, falta de apetite ou o inverso, dentre outros. Haja vista, o que fazer para não deixarmos esse bem tão precioso não ser afetado: a nossa mente? Neste período parece impossível, não é? Pois bem! O que tenho a lhes dizer é que não existem fórmulas. Porque a cada camarim existe a sua estrutura de realidade. E para cada realidade optamos nos enquadrar no que temos enquanto possível. O segredo é: se não consegues buscar o bem-estar por conta própria, por que não pedir ajuda?

Por fim, caro leitor, eis a questão! Diante das circunstâncias, você se vê uma pessoa sem gravidade ou com gravidade?

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