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Opinião
Editorial A cultura e a crise

Publicado em: 27/05/2020 03:00 Atualizado em: 27/05/2020 05:54

A indústria criativa injetou R$ 171 bilhões - 2,6% do Produto Interno Bruto (PIB) - na economia brasileira em 2017, revela o Mapeamento da Indústria Criativa no Brasil, realizado pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). A cultura, nas suas mais diversas expressões, movimentaria mais R$ 17,4 trilhões e asseguraria cerca de 30 milhões de empregos, uma participação de 6% na economia global, segundo estimava da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Desde a década de 1990, pelo menos 21 países, entre eles, sete na América Latina -  Chile, Uruguai, Argentina, Peru, Bolívia, Equador e Colômbia, a principal referência -  têm sistemas que medem a participação da cultura no PIB. O Reino Unido, durante o governo de Tony Blair, foi o vanguardista na formulação de políticas para a economia criativa, que agrega 30% da força de trabalho entre o total de empregados do país.

No Brasil, os dados socioeconômicos da indústria criativa não são organizados, o que dificulta mensurar a participação do setor na geração de riquezas. Embora o país contemple pluralidade singular neste campo, ainda não conseguiu despertar o seu potencial como indutor do desenvolvimento educacional, econômico e social. Na avaliação da Unesco, a indústria da criação tem capacidade de absorver trabalhadores na faixa etária de 15 a 30 anos, além de fazer interface com os mais variados segmentos que fomentam a economia de um país. A cada emprego criado pela cultura, duas vagas surgem em outros setores.

Em janeiro do ano passado, o Ministério da Cultura foi rebaixado à condição de Secretaria do Ministério do Desenvolvimento Social e, hoje, é órgão da pasta do Turismo. Em mais de 500 dias, o governo não conseguiu anunciar uma política para o setor.

A crise epidemiológica, causada pelo novo coronavírus, implodiu todos os projetos da área econômica, retardou o debate e a aprovação das reformas estruturais pelo Congresso Nacional, além de exigir do poder público gastos extraorçamentários. A conta do pós-pandemia será estratosférica. Economistas e especialistas estimam que o PIB nacional poderá ter uma retração acima de 7% neste ano. Em meio à adversidade, a indústria criativa tem potencial, pela diversidade de manifestações, de construir um cenário de superação, desde que haja políticas públicas que contemplem o poderio artístico brasileiro.

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