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Opinião
A Abolição e as mulheres pernambucanas

Luzilá Gonçalves Ferreira
Membro da Academia
Pernambucana de Letras

Publicado em: 26/05/2020 03:00 Atualizado em: 26/05/2020 05:53

Semana retrasada, em vários lugares do Brasil, instituições ou simplesmente grupos de defesa dos direitos de afrodescendentes,  comemoraram o 13 de maio de 1888. Que em principio  abolia a exploração de gente de pele escura, por parte de gente de pele clara (?). Em Pernambuco, muito antes dessa data, cartas de alforria foram concedidas a escravos, através, sobretudo, de testamentos, feitos à última hora, em razão da proximidade da morte ou por idade avançada das proprietárias, como se vê no acervo de testamentos conservados em nosso Instituto Arqueológico. Como o fez, por exemplo, dona Antonia Carolina da Conceição, em testamento datado de 26 de setembro de 1874, que “deixa liberta e isenta de escravidade sua escrava Joana Preta, africana”. Ou dona Paula Joaquina Cavalcanti de Albuquerque, que liberta seus escravos Efigenia,Firmino,Laureano, Luiz Grande, anunciando: “No sétimo dia de meu falecimento o meu testamenteiro lhes passará as cartas de liberdade e lhes entregará”. Como o faz igualmente Anna Felicia de Albuquerque, moradora “em sua Engenhoca de Santa Rosa, Freguesia de Brejo da Madre de Deus,” em 9 de maio de 1721: “Declaro que o meu escravo pardo chamado Quitério será forro liberto, e senhora de si e pelo mesmo modo de juízo, também será forra e liberta minha escrava Luiza, servindo esta verba de título de sua liberdade pelos muitos bons serviços que me tem feito”. Agradecida a outras escravas, acrescenta: ”Deixo a roupa de meu uso ordinário para as minhas escravas e o meu testamenteiro repartirá entre elas com igualdade de forma que chegue a todas.” Em Goiana, o Club Abolicionista Goyanense confere, segundo artigo de jornal local, “um diploma a dona Belmira Americana Andrade Couro,” por sua atuação como abolicionista. O mesmo número do jornal notifica a concessão de carta de alforria, selada com 200 reis em 3 de junho de 1875, ao escravo Luiz, pardo de 20 anos, natural de Pernambuco, pela senhora Dona Maria Uchoa Francisca de Almeida Carvalho, pelos “bons serviços por ele prestados”. Um dos casos mais conhecidos de lutadora abolicionista, longe da capital - todos conhecemos a atividade de mulheres abolicionistas no Recife, como Leonor Porto, Amélia de Queiroz, dona Olegarinha e tantas outras – é o caso de Anna Carolina de Souza Ferraz, de Floresta, no Pajeú. Ela crescera sob a influência do avô, Serafim de Souza Ferraz, chefe do Partido Liberal na cidade. Aos 19 anos comprava escravos para os alforriar, abrigava negros fugidos de engenhos, e, ao que se conta na família, levou os donos das fazendas Serrotinho, Poço de Baraunas, Boa Ilha, a cumprir a Lei do Ventre Livre. É bom lembrar que muitas escravas, consagrando algumas horas livres de trabalho, e por muitos anos, conseguiram comprar sua alforria, conforme encontramos em testamentos sobretudo no Recife. Parte da luta de mulheres por seu direito à liberdade.

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